Coronavírus

Governo planeja castigar pobres com redução do auxílio emergencial

Ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a redução do auxílio de R$ 600 para R$ 200


Bolsonaro e Paulo Guedes
Bolsonaro e Paulo Guedes

Enquanto milhões de brasileiros necessitados sequer receberam a primeira parcela do auxílio emergencial, o governo Bolsonaro já pensa em reduzir o benefício. 

Em reunião com empresários na terça-feira (19), o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a redução do auxílio de R$ 600 para R$ 200. A mudança viria após o pagamento da terceira parcela. Uma medida desumana, diante do caos vivido pela população mais pobre.

Criado como forma de ajuda àqueles que perderam a renda em razão da pandemia do novo coronavírus, o auxílio emergencial já tem um valor insuficiente para cumprir seu papel. A redução vai aprofundar ainda mais a situação de necessidade dessas famílias. 

O benefício foi criado para durar três meses, mas um projeto de lei na Câmara dos Deputados prevê a extensão do período de pagamento. Diante dessa possibilidade, o ministro Paulo Guedes deixou claro que a ampliação só será aprovada caso haja a redução. “Se voltar para R$ 200, quem sabe não dá para estender um mês ou dois? R$ 600 não dá”, disse o ministro ao empresariado. 

Cerca de 60 milhões de pessoas dependem do auxílio-emergencial. No entanto, estima-se que esse número pode ultrapassar a marca dos 100 milhões, devido aos efeitos econômicos provocados pela epidemia. 

Com a alta taxa de trabalhadores informais (mais de 40 milhões) e o aumento do desemprego, muitas famílias ficaram sem renda da noite para o dia. A justificativa de Guedes para abandonar a população à própria sorte é a falta de recursos.

O que a equipe econômica de Bolsonaro não conta é que, em abril, deixou de receber R$ 4,1 bilhões dos quatro maiores bancos do país -  dinheiro que poderia ser usado em benefício da população.

Isso porque o governo reduziu de 20% para 15% a alíquota de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O imposto incide sobre o lucro das instituições financeiras em 2019, calculado em R$ 81,5 bilhões.

O cenário deixa claro que a saúde financeira dos banqueiros é a maior preocupação de Bolsonaro e Guedes. Enquanto isso, o povo é obrigado a enfrentar filas, desorganização e a burocracia governamental para receber uma quantia insuficiente para sua sobrevivência. 

“O governo Bolsonaro tem sido cruel com os trabalhadores desde o início da pandemia. É preciso dar um basta nessa gestão genocida e exigir a saída de Bolsonaro imediatamente. Temos de garantir a dignidade do povo mais pobre, e este governo não nos serve”, afirma o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.


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