Metalúrgicos protestam contra fechamento da Refrex Trabalhadores da Italspeed também participam da manifestação
[16/07]
A metalúrgica Refrex, em Caçapava, anunciou na noite desta quinta-feira, dia 15, o fechamento da fábrica na cidade. A empresa possui 64 trabalhadores e produz componentes para linha branca (geladeiras e fogões). O anúncio foi feito durante vistoria do Ministério Público à unidade, que esteve na fábrica a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.
Em protesto contra o fechamento da Refrex, os trabalhadores saíram em passeata na manhã desta sexta-feira e realizaram um manifesto em frente à Câmara Municipal. Eles querem que vereadores e prefeito interfiram no caso. A empresa está instalada em Caçapava há 28 anos e será transferida para Mairinque (SP).
Há dias os trabalhadores estavam pressionando a diretoria da Refrex para que esclarecesse os boatos sobre o fim das atividades em Caçapava, mas a empresa se recusou a falar com os funcionários. Esta semana, entretanto, as máquinas e equipamentos começaram a ser desmontadas e colocadas em caminhões. A transferência só foi confirmada pela diretoria com a presença do Ministério Público e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.
O fechamento da fábrica vai representar, além das 64 demissões, o fim de aproximadamente 30 postos de trabalho indiretos.
“O poder público de Caçapava não pode ficar em silêncio numa situação como esta. Os trabalhadores têm de ter garantia de emprego pelo menos até o final do ano, com direito a todos os benefícios”, afirma o diretor Edmir da Silva.
Italspeed
Em conjunto com os trabalhadores da Refrex, os metalúrgicos da Italspeed Automotive também participaram da manifestação em Caçapava. Eles protestam contra a postura da empresa, que se recusa a negociar o pagamento dos dias que os trabalhadores ficaram parados durante a greve que já dura nove dias.
Os trabalhadores cruzaram os braços para pressionar a empresa a aumentar o valor da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e dar estabilidade de emprego aos funcionários. O caso foi para dissídio coletivo, no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas.
O TRT propôs, além da PLR de R$ 1.500, a regularização do FGTS e estabilidade de emprego até 31 de outubro. Quanto aos dias parados, a empresa pagaria 1/3 do valor, 1/3 seria compensado e o restante seria descontado.
A Italspeed tem cerca de 160 funcionários e produz rodas de alumínio e cabeçotes para veículos da Volkswagen e Ford.
A empresa tinha até quinta-feira para se manifestar sobre o assunto, mas não deu qualquer retorno aos trabalhadores, que decidiram em assembleia dar continuidade à greve.
Esta é a segunda greve dos metalúrgicos da Italspeed em dois meses. Em maio, um protesto contra 70 demissões parou 100% da produção durante dois dias. Na época, a empresa também havia se comprometido a regularizar o FGTS, que não é depositado há cinco anos, e aumentar a proposta da PLR. Sem o cumprimento do acordo, os metalúrgicos voltaram agora a cruzar os braços.
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