[05/05]
A Grécia amanheceu parada nesta quarta-feira, dia 5 de maio, na terceira greve geral que atinge o país este ano.
Os transportes aéreos, marítimos e ferroviários estão parados. A maioria das escolas e administrações públicas fechadas. Os bancos e as grandes empresas do setor público funcionam com poucos funcionários e os hospitais garantem apenas os serviços de emergência.
A greve inclui a imprensa, com os serviços jornalísticos de rádios, TVs e jornais interrompidos. O transporte urbano de Atenas funcionou com horário restrito para permitir a chegada dos manifestantes aos locais dos protestos convocados pelos sindicatos no centro da cidade.
A paralisação é um protesto ao pacote de arrocho anunciado pelo governo grego, que busca uma economia de 30 bilhões de euros (cerca de R$ 80 bilhões).
O plano prevê o congelamento dos salários dos funcionários públicos por pelo menos três anos. Os aposentados gregos perderão também o 13º e o 14º salários se suas pensões superarem 2.500 euros mensais.
Foi estabelecida uma idade mínima de aposentadoria (60 anos) e um novo cálculo para as pensões relacionado com toda a vida de trabalho e não com os últimos anos, como era até agora.
Além disso, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) será aumentado em dois pontos para 23%, depois de em março já ter subido outros dois. Serão elevados em dez pontos percentuais os impostos sobre tabaco, álcool e combustíveis.
Gregos não estão dispostos a pagar por crise
O chamado "plano de austeridade" anunciado pelo governo da Grécia é a contrapartida exigida pelo Banco Central Europeu e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) que repassarão ao país 110 bilhões de euros em três anos.
A Grécia fechou o ano passado com um déficit de 13,6% do PIB, quando o teto para um país da Zona do Euro é de 4%. O endividamento do país chega a 115% do PIB (Produto Interno Bruto).
Apesar de ser um país pequeno, a instabilidade grega já contamina a economia mundial, levando instabilidade às bolsas de valores, inclusive no Brasil.
As próximas bolas da vez podem ser Portugal e Espanha, países que também estão com problemas semelhantes e já são alvos do FMI, que exige novos planos de arrocho contra os trabalhadores e a população.
O fato é que a situação dos países da União Européia revela a nova fase da crise econômica mundial, que longe de ter acabado, entra em nova fase com a bancarrota de vários países, principalmente da Europa.
Os patrões e os governos querem jogar essa conta nas costas dos trabalhadores. Porém, a população grega tem dado demonstrações de que não está disposta a pagar.
A paralisação geral desta quarta-feira é a terceira este ano e foi precedida por fortes protestos e manifestações desde o dia 1º de maio. Mobilizações que tem sido fortemente reprimidas pela polícia.
Só a luta da classe trabalhadora e dos setores explorados e oprimidos poderá barrar estes ataques. A grande mobilização dos trabalhadores gregos é um exemplo a ser seguido.
SINDICATO DOS METALÚRGICOS
DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, CAÇAPAVA, JACAREÍ, SANTA
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