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Haiti: um país que precisa de solidariedade internacional de classe

[15/01]
O cenário é de destruição, a população em meio aos escombros perambula sem perspectiva alguma. Imagens veiculadas na grande imprensa mostram o povo desolado que retira os destroços com as mãos em busca de sobreviventes. Há falta de água potável, alimento e energia elétrica. Estima-se mais de 100 mil mortos e 3 milhões de desalojados. Sem alternativa as pessoas dormem nas ruas da capital Porto Príncipe.
O país está devastado e o povo haitiano espera por ajuda diante de um governo paralisado. Enquanto isso soldados são enviamos aos montes, com o pretexto de ajudar a população, que ao invés de militares armados, precisa de médicos para tratar os enfermos, bombeiros para apagar os focos de incêndio espalhados por toda a cidade, alimento e água potável. O governo brasileiro enviou militares e suprimentos que somam mais de 14 toneladas de alimentos e remédios. Porém grande parte destes recursos será destina para o abastecimento do próprio contingente.
Diante de tanto terror os recursos demoram a chegar. O país mais pobre do mundo, enfrenta problemas com cerca de 80% da população desempregada, a falta de estrutura, a exploração por meio da mão de obra barata e se depara com mais um campo de guerra, porém esta batalha deve ser superada não com soldados, e sim com o dinheiro que abastece os militares estrangeiros (Minustah) sendo revertido a população para a reconstrução do seu país.
Segundo o representante da Conlutas, Dirceu Travesso, o Didi, este fato se dá pelas relações socioeconômico e perversidade das grandes potências que não aceitaram a única revolução de escravos que se libertou. “Todo este quadro que existe hoje no Haiti, é fruto de uma política perversa de ocupações, de exploração”, informa Didi.
Relatos retirados do blog de pesquisadores da Unicamp que estão no Haiti, revelam a dimensão da tragédia. Uma das declarações é de Otávio Calegari que integra o grupo de estudantes. "A situação em Porto Príncipe esta bem complicada. O terremoto foi bastante assustador. (...) A Minustah simplesmente inexiste nos bairros pobres ou no centro da cidade. Provavelmente estão cuidando dos figurões da ONU e de seus próprios militares que morreram. Tenho a impressão de que este foi o golpe fatal no Haiti”.
Para Didi, falar de ajuda humanitária, enquanto ainda se cobra a divida externa que chega a 1 bilhão de dólares é no mínimo contraditório. A Organização das Nações Unidas (ONU) não é um organismo da humanidade, e sim dos estados, e dos grandes interesses econômicos. “Esta organização segue a lógica das transnacionais tentando vender a falsa impressão de ajuda humanitária quando da verdade sabemos que visam explorar os países pobres”.
Ainda assim existe a propaganda de que o envio de tropas é para a ajuda humanitária. O povo haitiano é castigado há mais de cinco anos com a presença de soldados que nada fizeram durante este período para melhorar a situação estrutural do país. Agora esta “ajuda” será triplicada em mais soldados e menos do que os haitianos realmente precisam: recursos básicos para sua sobrevivência: água, comida e respeito, que só será conquistado quando as tropas estrangeiras (Minustah) deixarem o Haiti.
São anunciados os números da ajuda internacional de governos e organismos internacionais. Ninguém fala nas cifras gastas nos últimos anos para manutenção de uma ocupação militar que em nada melhorou a vida do povo haitiano. Só o Brasil gastou cerca de 700 milhões de dólares nos últimos seis anos. O cálculo é que a ONU gastou cerca de 3,2 bilhões de dólares. Vão tentar mais ainda dar uma cara de ajuda humanitária para a manutenção de uma intervenção militar a serviço dos interesses econômicos das multinacionais e do imperialismo.
Didi ressalta a importância da participação de todas as entidades. “Chamamos a todas as entidades e organizações para que lancemos uma campanha de arrecadação de recursos independentes dos organismos oficiais que sejam encaminhados as nossas organizações irmãs, sindicais e populares do Haiti”.
Redação Conlutas
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