Crise mostra fragilidade do capitalismo e necessidade de organização dos trabalhadores Afirmação foi feita por José Welmovicki, em palestra no Sindicato, no dia 22
O palestrante José Welmovicki
[23/10]
“O mundo está vivendo um momento histórico, no qual o capitalismo mostra sua verdadeira face: como um sistema frágil, temporário e perigoso”. Com essa afirmação, o professor doutor em Sociologia, José Welmovicki, deu início à palestra “A crise econômica e suas conseqüências para os trabalhadores”, realizada na quarta-feira, dia 22, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.
Segundo ele, estas características do sistema capitalista agora saltam aos olhos com a explosão da crise econômica mundial e reafirmam a necessidade de se rediscutir os valores impostos pelo Capital e da urgente organização da classe trabalhadora.
Especialista em organizações sociais, Welmowicki alerta para as arapucas armadas pelo capitalismo em que as principais presas são os próprios trabalhadores.
“O capitalismo é, por sua própria concepção, um sistema desigual, injusto, formado por ciclos de altos e baixos. Mas seja qual for o ciclo, sempre haverá a exploração da maioria pela minoria”, afirmou.
Numa crise econômica como a que o mundo está presenciando, as conseqüências para os trabalhadores são de extrema gravidade. As armas são disparadas de todos os lados – tanto pelas empresas quanto pelos governos.
Sem querer ver seus lucros reduzidos, as empresas demitem trabalhadores, cortam direitos e engessam as negociações por melhores salários. Ao mesmo tempo, o governo libera bilhões de dólares para os grandes grupos financeiros – os verdadeiros causadores da crise - e deixa de lado quem realmente precisa: a população.
Nos Estados Unidos, o Governo Bush já injetou trilhões de dólares para salvar bancos. Entretanto, o povo americano, que se endividou com a ilusão do crédito fácil, está sendo expulso de suas casas. Pesquisas mostram que as famílias americanas estão com até 105% de suas rendas comprometidas com dívidas. “É como se todo o país estivesse ‘pendurado’”, explicou Welmowicki.
No Brasil, o presidente Lula também já acenou com medidas similares às adotadas por George W. Bush. Por meio da Medida Provisória 443, esta semana, Lula liberou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para comprarem títulos e ações de previdência privada, seguros, capitalização e instituições financeiras como forma de salvar banqueiros.
A medida foi tomada na mesma semana em que foram anunciados, também pelo presidente Lula, possíveis cortes no Orçamento da União. Traduzindo: enquanto os bancos são beneficiados, deve haver redução de verbas para serviços básicos, como saúde, educação e transporte. “É o que se pode chamar de ‘socialização do prejuízo’”, disse Welmovicki.
Para o professor, a verdadeira origem da crise está no próprio funcionamento do capitalismo, cujo grau de deformação é tão grande que levou ao estouro da bolha de créditos habitacionais nos EUA, espalhando-se por todo o sistema financeiro mundial.
O palestrante relembrou que a bolha começou a ser inflada em 2001, época em que o governo norte-americano promoveu o crédito barato para estimular compra de casas a prazo. As dívidas da população cresceram, mas os salários continuavam os mesmos. O resultado era óbvio. Em poucos anos, iniciou-se uma onda de inadimplência até que nem mesmo o todo-poderoso sistema financeiro americano suportou. Os bancos, que especulavam com capital fictício, ruíram.
A tentativa de salvação tem vindo pela mão do Estado, que torrou trilhões de dólares para que o sistema financeiro não quebrasse. O que se vê, entretanto, é que essa operação de emergência não foi suficiente e que outras bolhas ainda podem estourar.
“Estamos perante uma crise política do império americano. Mesmo com a injeção de recursos, não haverá recuperação definitiva. Mas uma coisa é certa: o capitalismo sempre tentará se salvar, atacando o trabalhador. Para os banqueiros, sempre haverá dinheiro. Para a saúde, para a educação e para o desenvolvimento econômico, não. Por isso, quando essa crise se agravar ainda mais e atingir em cheio os trabalhadores, nossa resposta tem que ser em defesa de melhores condições de vida, do emprego e do salário e, acima de tudo, uma luta por uma nova sociedade, uma sociedade socialista”, concluiu Welmowicki.
SINDICATO DOS METALÚRGICOS
DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, CAÇAPAVA, JACAREÍ, SANTA
BRANCA E IGARATÁ
Rua Maurício Diamante, 65 CEP 12209-570
Tel. (12) 3946.5333 Fax (12) 3922.4775