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Declaração da LIT-QI sobre os quatro anos de invasão do Iraque


[21/03] - FORA AS TROPAS IMPERIALISTAS DO IRAQUE E DO AFEGANISTÃO!
- IMEDIATA RETIRADA DOS "CAPACETES AZUIS" DA ONU DO LÍBANO E DO HAITI!
- TODO NOSSO APOIO PARA O TRIUNFO DA RESISTÊNCIA IRAQUIANA!


Nos próximos dias, quatro anos depois de iniciada a ocupação militar imperialista do Iraque, será realizada uma jornada internacional de mobilizações exigindo a imediata retirada das tropas de ocupação do país.

Essas mobilizações ocorrerão num momento em que o conjunto da política imperialista implementada por Bush no Oriente Médio está fracassando e este fato o debilita cada vez mais a olhos vistos, como o demonstra sua derrota nas recentes eleições legislativas nos EUA.

Em outras palavras, está colocada a possibilidade de que o imperialismo seja derrotado política e militarmente no Iraque. Recordemos que a primeira derrota militar de sua história se deu no Vietnã, em 1975.

O fracasso de uma política

Em março de 2003, como um novo passo na "guerra contra o terror", lançada por Bush depois do 11 de setembro de 2001, as tropas imperialistas dos EUA, Grã-Bretanha e seus aliados obtiveram uma rápida vitória militar: derrotaram o governo e o regime de Saddam Hussein, dissolveram seu exército e instalaram um regime colonial, assentado nas tropas invasoras.
Mas as expectativas de que essa vitória permitisse instalar um governo títere sólido, e assim retirar rapidamente a maioria das tropas, viram-se rápida e duramente desmentidas pela realidade. Pouco tempo depois da ocupação, teve início uma verdadeira guerra de libertação do povo iraquiano que, através de ataques e atentados, começou a encurralar cada vez mais as tropas de ocupação e as impediu de dominar realmente o país.
Nenhuma das políticas implementadas para procurar reverter essa situação deu, até agora, resultado. Desde o genocídio que provocou a ocupação (com centenas de milhares de mortos entre as vítimas das ações militares, a repressão, os esquadrões da morte e as conseqüências da fome e do desastre sanitário) até as eleições fraudulentas para legitimar o governo títere de Al Maliki, assentado em forças políticas xiitas e curdas. A política de incentivar uma guerra civil com base étnica e religiosa que pudesse dividir o país em três regiões autônomas, procurando retomar o velho axioma do império inglês, dividir para conquistar, tampouco reverteu a dinâmica geral. Apesar de todos essas tentativas, uma vitória da resistência iraquiana é a possibilidade colocada na realidade.

O imperialismo se debilita em toda a região

Os problemas do imperialismo não se limitam ao Iraque. Em 2006, se reabriu uma "segunda frente" com o agravamento da situação militar no Afeganistão, cuja ocupação, realizada em 2001, parecia ter controlado o país. Essa modificação se produz totalmente na contramão da política de Bush, que buscava uma diminuição das tropas norte-americanas nesse país para transferir o peso da ocupação às potências imperialistas européias, através da OTAN. As últimas informações indicam que a situação militar no Afeganistão é cada vez mais grave para os ocupantes.
Nesse mesmo ano, a derrota da invasão israelense ao Líbano mostrou que o grande aliado do imperialismo na área, o estado sionista, também estava débil e vulnerável, o que ameaça sua própria existência como gendarme regional do imperialismo.
Como mostra desse debilitamento, e da impossibilidade de enviar tropas a outras regiões do mundo, no Líbano, foi a ONU, através dos "capacetes azuis", essencialmente europeus, que deu cobertura ao Estado de Israel e ao próprio Bush. O mesmo que acontece no Haiti, embora, neste caso, sejam soldados enviados por governos latino-americanos que, da forma mais indigna, atuam como "tropa auxiliar de ocupação" do imperialismo. Bush utiliza assim os governos de Frente Popular latino-americanos, encabeçados pelo brasileiro Lula, que, desse modo, desnudam seu verdadeiro caráter de agentes da política imperialista.

Problemas em casa

O curso desfavorável da guerra no Iraque, e de toda a política de Bush no Oriente Médio, voltou-se como um boomerang contra os EUA, e teve impacto nas próprias eleições legislativas do país, como uma maré de oposição popular, gerando uma dura derrota para o governo. Nas pesquisas realizadas no período eleitoral, mais de 50% dos norte-americanos expressou estar a favor da retirada das tropas do Iraque. Esse tema se transformou em um dos eixos das eleições, cujo resultado o próprio Bush reconheceu como "uma surra". Bush começa a sofrer na própria carne o que já acontecera com dois de seus principais aliados na invasão ao Iraque (Aznar, na Espanha, e Berlusconi, na Itália).
A mobilização de massas nesses países obrigou também os governos de Zapatero e Prodi a ter que retirar suas tropas do Iraque, ainda que mantenham-nas no Afeganistão e no Líbano. O mesmo começa a acontecer com Blair na Inglaterra, que se viu obrigado a anunciar um cronograma de retirada do Iraque.

Partir é difícil. ficar também

Seria um erro, no entanto, acreditar que, apesar de seu notório debilitamento, o imperialismo aceitará tranqüilamente uma derrota. Para o imperialismo, o controle do Oriente Médio tem uma importância geopolítica estratégica porque a região possui as maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo, no momento em que tais reservas começam a declinar.
Tal como assinalou o próprio Bush, depois das eleições, "sair derrotados do Iraque teria conseqüências desastrosas". Uma visão que é compartilhada pelo outro grande partido imperialista de seu país, os democratas, que, apesar de seu amplo triunfo eleitoral e da clara mensagem dos votantes, tampouco pressionam por uma retirada imediata. Por isso, os dois partidos farão o impossível para ganhar essa guerra ou, pelo menos, conseguir um "empate". Nesse sentido, não podemos descartar que, seja com suas próprias forças ou através de seu gendarme Israel, o imperialismo ataque o Irã.
No entanto, uma coisa são as intenções, outra coisa é a realidade. Atualmente, o imperialismo norte-americano não tem nenhuma condição política em seu próprio país para ampliar os atuais 150.000 soldados que mantém no Iraque aos 500 ou 600.000 que seriam necessários para poder controlar esse país. Entre outros problemas, deve permanecer com a vista fixa em seu próprio movimento de massas, para detectar se, em um futuro próximo, o repúdio eleitoral contra a guerra não começa a se transformar em massivas mobilizações.
Por isso, a política do imperialismo na região mostra duas faces aparentemente opostas. Por um lado, ameaça com um possível ataque costeiro ou aéreo relâmpago ao Irã, se o país não retroceder no seu plano nuclear. Por outro lado, se vê obrigado a convidar o governo iraniano à mesa de negociações para buscar uma saída no Iraque, reconhecendo assim que o regime dos aiatolás, graças a seu vergonhoso apoio ao atual governo de ocupação, é uma peça chave para qualquer "saída honrosa" do pântano em que os EUA se meteram no Iraque.

Unidade para enfrentar a ocupação e seus agentes

O imperialismo tem apostas muito altas no Iraque: uma retirada nas atuais condições significaria reconhecer uma derrota e abriria um perigoso precedente de impotência que incentivaria a luta de todos os povos do mundo. Em especial, ficaria muito debilitado no Oriente Médio, estratégico por suas riquezas petrolíferas, onde também enfrenta situações críticas no Afeganistão, Líbano e Palestina. Por exemplo, estaria ainda mais na ordem do dia uma tarefa histórica: a destruição do Estado de Israel.
Tal como assinalamos, não acreditamos que o imperialismo se retire do Iraque de boa vontade. O único caminho possível, então, é derrotar e expulsar as tropas de ocupação e seus agentes locais. Nessa tarefa, a LIT-QI considera que, como parte da unidade das massas árabes e muçulmanas, hoje, é mais necessária do que nunca a unidade dos xiitas, sunitas e do povo laico iraquiano para que esse triunfo possa se concretizar.
Trata-se, em primeiro lugar, de defender a unidade territorial do Iraque contra as tentativas imperialistas e de seus agentes xiitas e curdos do atual governo. A guerra de libertação nacional do Iraque é hoje o principal enfrentamento entre o imperialismo e o movimento de massas a escala mundial. Nessa ocupação, estão sendo decididos boa parte dos destinos da atual política do imperialismo norte-americano. Uma derrota de Bush e dos EUA abrirá condições muito mais favoráveis para o avanço das massas do mundo inteiro.
Por isso, no marco da mais ampla unidade nas próximas mobilizações, a Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional apoia incondicionalmente a luta militar da resistência iraquiana (embora mantenhamos nossas críticas políticas a suas direções). Estamos a favor da derrota política e militar do imperialismo e de seus colaboradores iraquianos e por sua expulsão do país, para conquistar um Iraque livre e soberano. Nossa posição é a mesma frente à ocupação do Afeganistão. Finalmente, acreditamos que deve ser parte indissolúvel dessa luta antiimperialista a exigência da imediata retirada das tropas de ocupação do Haiti, do Líbano, ainda que nesse caso essas tropas sejam de outros países e estejam disfarçadas com os "capacetes azuis" da eterna cúmplice do imperialismo, a ONU.

São Paulo, 18/3/2007

Secretariado Internacional da LIT-QI


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