 |

51 anos de história

Há 51 anos, os metalúrgicos de São José dos Campos e região participam da história do movimento operário brasileiro. Formado em 1956, o Sindicato dos Metalúrgicos é um dos mais combativos do país. Seu perfil classista e sua linha de atuação, adquiridos no decorrer do tempo, são determinantes na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores.
Um dos primeiros a levantar a bandeira do “Fora Collor”, o Sindicato dos Metalúrgicos se mantém na vanguarda das lutas contra o FMI, a implantação da ALCA e as reformas Sindical e Trabalhista, do governo Lula.
A entidade, que atualmente tem cerca de 20 mil trabalhadores sindicalizados, se desfiliou da CUT, em agosto de 2004, depois de um processo de discussão com a categoria que concluiu que essa central não representa mais os interesses dos trabalhadores, já que apóia o governo Lula e as reformas que retiram direitos.
Hoje, o Sindicato está atuando no processo de construção da CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas), organismo que reúne centenas de entidades combativas do país.
FUNDAÇÃO
Em 14 de março de 1956, 30 metalúrgicos da Ericsson criaram a Associação Profissional dos Metalúrgicos de São José, Jacareí, Caçapava e Santa Branca. Os pagamentos dos sócios eram feitos no banheiro da empresa porque a repressão era muito grande. No dia 25 de novembro de 1958, a associação transformou-se em Sindicato.
A GM vem para São José em 1959. A década de 60 é marcada pela "nova industrialização", com o surgimento de um grande número empresas na região. Nesta época, a atuação dos sindicatos nas portas das fábricas não acontecia. O perfil do Sindicato era assistencialista, seguindo a estrutura sindical imposta desde o governo Getúlio Vargas. Concursos de miss e corte de cabelo gratuito eram atividades que a entidade promovia. A Embraer é instalada em São José em meados da década de 70.
DITO BRONCA
Um perfil mais combativo na categoria surge em 1979, durante uma grande greve geral dos metalúrgicos. O movimento sindical recomeçava sua organização com oposições ao sindicalismo “pelego”.
Ainda no clima das greves de 1979 e da luta pela anistia, o cartunista Henfil cria um personagem que foi se tornando a cara do Sindicato: o Dito Bronca. O nascimento do Dito foi justamente durante um ato pela anistia, na Praça Afonso Pena, quando estavam presentes ativistas da Oposição Metalúrgica. “Pedimos ao Henfil”, lembra Antonio Donizete Ferreira, o Toninho. “Ô, Henfil, crie algo que represente a indignação dos trabalhadores com os patrões, com as injustiças que os chefes fazem com a gente dentro das fábricas”.
O pedido do Toninho foi atendido e assim nasceu o Dito Bronca, até hoje, dono da coluna mais lida do Jornal do Metalúrgico, informativo do Sindicato entregue semanalmente nas fábricas.
MOBILIZAÇÃO
Em 1981, o Sindicato passa a ser dirigido pela oposição, com Ari Russo. A entidade atuou efetivamente pela fundação da Central Única dos Trabalhadores, em 1983. Em 1984, o presidente eleito é José Luiz Gonçalves.
A década de 80 é marcada por greves e lutas. Duas históricas, a da Embraer, em 1984, e a da GM, em 1985. Outras greves também foram importantes: Fiel, Philips (Inbrape), Bundy, Sade, Panasonic, Ericsson e muitas outras empresas. Nestas mobilizações, os trabalhadores conquistaram redução de jornada de trabalho e aumentos salariais.
FORA COLLOR
A vitória do bloco de esquerda da CUT marcou o começo da década de 90. Outra conquista na organização e democracia foi a realização, em 1991, do 1º Congresso dos Metalúrgicos, que, ao longo do tempo, viraria uma tradição na categoria (também foram realizados congressos em 1992, 93, 95, 99, 2001 e 2004).
Em 1992, o Sindicato estava à frente das lutas que culminaram na derrubada do presidente Fernando Collor de Mello. A entidade foi uma das primeiras a levantar esta bandeira.
Uma grande derrota aconteceu em 1994: a privatização da Embraer.
No ano seguinte foi realizada nova eleição para a diretoria do Sindicato com uma chapa única da CUT. Nas prévias, que compuseram a chapa, venceu a Articulação Sindical, que obteve a maioria da diretoria.
ESQUERDA CUTISTA
O ano de 1997 ficou marcado por um fato triste. Apesar de ser cutista (na época, algo significativo), a maioria da diretoria queria obter total controle da entidade e, para isso, chegou até a colocar jagunços dentro do Sindicato. Aquela diretoria não tinha mais condições de manter-se unificada. Mas uma eleição antecipada, realizada em 1997, resolveu o problema. Os metalúrgicos deram vitória à esquerda da CUT e Antônio Donizete Ferreira, o Toninho, volta a ser o presidente do Sindicato.
A partir daí, o Sindicato retoma as lutas por direitos e obtém conquistas. Nesta gestão, problemas financeiros a administrativos, causados pela diretoria anterior, foram sanados. Processos judiciais, que estavam parados, voltaram a ser movimentados na Justiça, o que garantiu importantes vitórias aos trabalhadores envolvidos.
OPÇÃO PELA LUTA
Desde então, os metalúrgicos mantiveram sua escolha por um Sindicato combativo, que não faz conchavo com empresários e que não aceita a redução de direitos. Nas eleições sindicais de 2000, venceu a chapa encabeçada por Luiz Carlos Prates, o Mancha, derrotando a Articulação Sindical (fatia majoritária da CUT que sempre negociou a flexibilização de direitos nos sindicatos que dirigiu).
Em 2003, aconteceram as eleições que definiu a atual diretoria do Sindicato. Com mais de 60% por votos, a CHAPA 1, novamente encabeçada por Mancha, foi eleita. Neste ano, foram realizadas várias atividades contra a reforma da Previdência, aprovada, no final do ano, pelo rolo compressor do governo Lula. Foram realizadas várias caravanas a Brasília, discussões e debates, marcando posição contra a retirada de direitos do funcionalismo público.
SINDICATO DEIXA A CUT
Já em 2004, um fato que, sem dúvida, é um divisor de águas na história do Sindicato: no dia 19 de agosto de 2004, os metalúrgicos decidem se desfiliar da Central Única dos Trabalhadores (CUT), central responsável por grandes mobilizações ao longo de sua história, mas que, com a eleição do governo Lula, transformou-se numa central “chapa branca”, que apóia as reformas que ameaçam os direitos dos trabalhadores, como as reformas Sindical e Trabalhista.
Alguns chegaram a dizer que o Sindicato se enfraqueceria com tal decisão, mas a situação foi completamente oposta: na Campanha Salarial imediatamente posterior à desfiliação, os metalúrgicos obtiveram o melhor índice de reajuste dos últimos 10 anos: 10% (sendo 4% de aumento real).
LUTAR CONTRA REDUÇÃO DE DIREITOS
Em 2007, ano em que completamos 51 anos, continuamos na luta contra os ataques dos patrões e do governo Lula, que quer mexer nos direitos históricos da classe trabalhadora através das reformas Sindical, Trabalhista e Previdenciária.
Sob o comando de Adilson dos Santos, o Índio, eleito presidente nas últimas eleições sindicais (fevereiro de 2006), a entidade segue na luta.
Não às reformas Sindical, Trabalhista e da Previdência!
Por emprego, salário e direitos!
Contra a divisão da categoria!
Pelo fortalecimento da CONLUTAS!
|
 |