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Os Congressos dos Metalúrgicos de São José dos Campos
são marcos na organização dos trabalhadores, onde são discutidas
as políticas do Sindicato para os anos seguintes. O primeiro
foi realizado em 1991. Outros sete eventos foram realizados,
em 1992, 1993, 1995, 1999, 2001, 2004 e 2005.
9º Congresso fortalece o Sindicato para avançar
na luta

O 9º Congresso, realizado de 17 a 19 de agosto de 2007, pode
ser considerado como um marco da democracia e da participação
dos trabalhadores da base no comando do Sindicato. O evento
discutiu os problemas enfrentados pelo Sindicato de forma
aberta e os desafios para o próximo período.
O Congresso reuniu 150 delegados, de 41 fábricas. Somando
os observadores e convidados, mais de 200 pessoas participaram
do evento, que foi aberto na sexta-feira, na sede do Sindicato
em São José. A solenidade contou a presença de dezenas de
sindicatos (alguns até do Nordeste), oposições, representantes
dos aposentados, do movimento popular e militantes do PSTU
e P-SOL. A abertura também contou com a participação do sindicalista
da organização Batay Ouvriye, do Haiti, Didier Dominique.
Debates e discussões em grupos
No sábado e domingo, os trabalhos foram realizados no auditório
e nas dependências da Colônia de Férias de Caraguatatuba.
Um debate sobre a reorganização do movimento operário no país
contou com a participação de José Maria de Almeida, da Conlutas,
e Ana Paula Rosa de Simoni, da Intersindical. Os diretores
apresentaram as teses e resoluções propostas pelo Sindicato.
Elas foram analisadas pelos delegados em cinco grupos. Nestes
grupos houve mudanças e propostas de novas resoluções, que
foram decididas, por votação democrática, no plenário do Congresso.
Luta contra a burocratização é principal
desafio
O principal tema discutido pelos delegados no 9º Congresso
foi a necessidade do Sindicato iniciar uma forte luta contra
a burocratização. O objetivo é combater desvios que afastam
os diretores da base e aumentar participação do trabalhador
no Sindicato.
A “burocratização” significa o afastamento do dirigente sindical
da base e a utilização do mandato e da estabilidade para obtenção
de vantagens pessoais, além da falta de democracia e acesso
dos trabalhadores à entidade. Essa situação é fruto da estrutura
sindical e da pressão do sistema capitalista, e afeta o movimento
sindical em geral. Por isso, combater este problema é tarefa
de todo sindicato combativo.
“No último período, deixamos de fazer o combate à burocratização
em nosso Sindicato e este problema nos atingiu fortemente.
Houve ausência de diretores nas fábricas, acordos que não
foram benéficos para os trabalhadores e até desvios graves,
entre vários outros problemas”, reconheceu o secretário-geral
do Sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.
Durante os três dias, os trabalhadores discutiram o que pensam
sobre o Sindicato. Fortalecer a organização no local de trabalho
e os mecanismos para garantir a democracia operária, ou seja,
para que o trabalhador mande no Sindicato e controle a diretoria,
foram as principais resoluções para combater a burocratização.
Resoluções contra a burocratização
Prioridade para a organização de base: os
diretores do Sindicato têm que estar dentro das fábricas junto
aos trabalhadores, ouvir suas reivindicações, reclamações
e opiniões. Todos os organismos de base, como CIPAS, delegados
sindicais e comissões de fábricas devem ser impulsionados.
Democracia operária: Quem manda e decide no
Sindicato é o trabalhador. Tudo deve ser decidido pelos trabalhadores
em assembléias e instâncias como o Conselho de Representantes,
que deverá funcionar de forma a permitir a participação efetiva
dos trabalhadores.
Medidas contra privilégios indevidos dos diretores:
quem está na fábrica tem que trabalhar; os afastados têm que
estar a serviço do Sindicato; controle no uso dos carros (nunca
para uso pessoal); extinção do final de semana (anual) gratuito
na Colônia; fim da cota fixa de passes (uso de acordo com
a necessidade); diretor não pode conseguir aumento para si
próprio e nem receber presentes da patronal.
Luta contra as reformas deve se intensificar
A luta contra as reformas do governo Lula que retiram direitos,
como a reforma Sindical, Trabalhista e Previdenciária, deve
ser intensificada. Essa foi uma importante decisão dos delegados
do Congresso. Também foi aprovado que a mobilização contra
a reforma da Previdência deve ser impulsionada por meio da
campanha do Plebiscito Popular sobre a reestatização da Companhia
Vale do Rio Doce e da preparação à marcha a Brasília, prevista
para 24 de outubro.
Confira outras resoluções:
Organização de base - Decidiu-se pelo fortalecimento do
Conselho de Representantes, CIPAS, comissões de fábrica e
grupos clandestinos (onde a repressão do patrão é muito grande);
também deverão ser produzidos mais boletins específicos por
fábricas ou região; outra decisão é a de se reativar e reestruturar
a Secretaria de Saúde do Sindicato.
Luta contra a reestruturação produtiva patronal - O Sindicato
deve divulgar os novos métodos de produção, que exploram e
tiram o emprego dos trabalhadores; a terceirização é um dos
fortes ataques à classe trabalhadora.
Luta contra a divisão - É preciso reafirmar o repúdio
a esta tentativa de divisão da categoria. Uma campanha permanente
deve ser feita na Embraer e nas outras empresas.
Fortalecimento de uma direção nacional - Foi decidido
apoiar e fortalecer a Conlutas e discutir a unificação com
a Intersindical e outras organizações da esquerda, em oposição
à CUT e ao governo Lula.
Outras resoluções - Outras medidas importantes foram
a priorização da formação dos dirigentes sindicais e ativistas
e a solidariedade internacional.
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