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Artigo 10/07/2012 | 10:56

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Em defesa dos empregos na General Motors

Os trabalhadores geraram riqueza, adoeceram na linha de produção, alimentaram a economia da cidade e, agora, correm o risco de ser descartados

Antonio Ferreira de Barros

São José dos Campos está vivendo um momento de forte apreensão, desde que veio à tona a notícia de que a General Motors prepara um plano de demissão em massa na fábrica local. Os debates estão em cada casa, comércio, botequim, ônibus, taxi, enfim, em cada esquina da cidade. As opiniões, é claro, dividem-se em busca de um culpado, de um motivo. É hora, portanto, de analisar alguns fatos e números.

As demissões que a GM planeja fazem parte de um programa global da montadora norte-americana. Desde a grande crise de 2008, que levou a empresa à concordata, foram fechados milhares de postos de trabalho em todo o mundo. Após a recuperação, financiada pelo governo norte-americano, veio a ordem: produzir mais veículos com menos trabalhadores. E pagar salários cada vez menores e retirar cada vez mais direitos.

No Brasil, apesar dessa política de demissão e exploração, as montadoras são fartamente privilegiadas pelo Governo Federal. Durante a crise internacional, o governo deixou de cobrar das montadoras R$ 26 bilhões em impostos, em razão do pacote de renúncia fiscal.

Por um lado, esse dinheiro serviu para que as montadoras incrementassem seus caixas e aumentassem a remessa de lucros para o exterior. Foram enviados US$ 14,6 bilhões (cerca de 30 bilhões de reais) para as matrizes das companhias. Ou seja, o dinheiro que poderia ficar no Brasil, beneficiando os trabalhadores brasileiros, fez a alegria dos acionistas norte-americanos, europeus e asiáticos.

Por outro lado, este dinheiro está sendo usado para custear as demissões. Na verdade, o governo deveria exigir que as montadoras garantissem a manutenção dos postos de trabalho.

Na GM, por cinco décadas, os trabalhadores geraram riqueza, adoeceram na linha de produção (este ano, foram registrados 372 casos de doenças e acidentes ocupacionais na fábrica), alimentaram a economia da cidade e, agora, correm o risco de ser descartados.

Embora a estimativa aponte para 1.500 trabalhadores demitidos, eles não serão os únicos atingidos pela medida. A região tem uma ampla cadeia produtiva do setor automotivo, e um efeito dominó será inevitável. A GM tem de ser cobrada, principalmente pelo poder público, para que assuma seu compromisso social.

Esta cobrança já está sendo feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, pela CSP-Conlutas e por outros sindicatos, de diferentes centrais e categorias. A Campanha em Defesa do Emprego na GM não é apenas um punhado de palavras de ordem. São propostas viáveis que evitariam as demissões e garantiriam a continuidade da produção na fábrica da cidade. É também um apelo da sociedade para que a GM não vire as costas para São José dos Campos.

As propostas indicam o caminho da renovação da linha de produção em São José. A transferência da produção do Classic, por exemplo, já seria suficiente para reativar todo o setor MVA – que a GM pretende desativar.

Também propusemos a nacionalização dos veículos importados hoje pela GM. Em 2011, a montadora importou 100 mil veículos, o que significa 3.600 postos de trabalho que deixaram de ser abertos no Brasil.

Ou seja, existem caminhos que levariam à manutenção e até ampliação dos postos de trabalho. O Sindicato está aberto ao diálogo e à negociação para viabilizar essas propostas. Acreditamos que a GM deve priorizar o caminho do diálogo, do emprego e do compromisso social. As demissões, neste momento, são desnecessárias e injustificáveis. Por isso, o Sindicato convoca toda a sociedade para se somar a essa luta em defesa do emprego. Esta é a única saída.

Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

 

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