A insanidade e irresponsabilidade da Prefeitura do PSDB e da Justiça estão prestes a provocar uma tragédia em São José. O prefeito Eduardo Cury e a juíza Márcia Loureiro insistem em uma desocupação violenta da ocupação do Pinheirinho, que pode ocorrer a qualquer momento.
Representantes do governo federal estiveram na cidade nesta quarta-feira, dia 11, para pedir o adiamento da reintegração de posse. Pela manhã, houve uma visita ao Pinheirinho e à tarde uma reunião entre a juíza, integrantes da Prefeitura, da OAB, da Igreja e moradores da ocupação.
Mas nada foi resolvido. A juíza, irredutível, manteve a ordem de reintegração. No entanto, uma nova reunião entre a juíza e as três esferas de governo (municipal, estadual e federal) ficou agendada para a próxima sexta-feira, dia 13, às 10h, na sede da OAB, em São José dos Campos.
A expectativa é que nessa reunião possa ser fechado um acordo que coloque um fim ao impasse e suspenda de vez a reintegração de posse.
O assessor da Secretaria Geral da Presidência da República, Wlamir Martinês, saiu desanimado da reunião e reclamou da intransigência da Prefeitura e da juíza.
“Quero deixar bem claro que, caso aconteça uma tragédia na cidade, a responsabilidade será toda da Prefeitura e do judiciário. O governo federal quer resolver a questão e está tentando isso de todas as formas, mas não encontra nenhuma disposição das duas partes. É lamentável”, disse na saída da reunião, que durou cerca de 1h30.
Notificação é lida sob truculência e violência
Um oficial de justiça esteve no acampamento na tarde desta quarta-feira, para fazer a leitura do mandado de reintegração de posse, que ordena a saída imediata dos moradores.
A ação, que era apenas uma notificação oficial dos moradores, já mostrou boa dose de truculência e violência.
Divididos em sete veículos, sendo cinco blazers e dois carros de passeio, quase 30 policiais se colocaram na entrada do acampamento, com armas e escudos e até bombas de efeito moral.
Diante do clima tenso que se instalou, ninguém conseguiu ouvir nada do que o oficial de justiça dizia, mesmo usando um megafone da Polícia Militar.
Após a saída dos policiais, os moradores do acampamento marcaram uma assembleia para às 18h30. O objetivo é definir as ações e estratégias que deverão ser tomadas durante a resistência.
Cresce apoio contra desocupação
Uma reunião com representantes dos 19 sindicatos e movimentos que apoiam os moradores também foi realizada no final da tarde desta quarta para discutir novas iniciativas de apoio ao Pinheirinho e para evitar a desocupação.
Os sindicato definiram uma série de ações, como uma assembleia no Pinheirinho, mobilizações simultâneas nas fábricas, para pedir apoio dos trabalhadores contra a desocupação, uma vigília na OAB, na sexta-feira, e uma agitação com panfletagem na Praça Afonso Pena, no sábado.
“O momento é de unidade e solidariedade. A orientação é para fortalecer o apoio aos moradores e fazer todas as iniciativas e medidas para evitar essa desocupação, que é uma insanidade e falta de responsabilidade do prefeito Cury e da juíza. São José não pode ser palco de um banho de sangue”, afirma o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Luiz Carlos Prates, o Mancha.


