Os moradores da Ocupação Pinheirinho iniciaram nesta quinta-feira, dia 24, um “manifesto vermelho” contra a tentativa de reintegração de posse por parte da juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, Márcia Loureiro. Toda a área ocupada está coberta por bandeiras e faixas vermelhas.
A mobilização é em resposta à decisão da juíza para dar reintegração de posse à massa falida da Selecta S/A. A gravidade da decisão levou a CSP-Conlutas a enviar um ofício à presidente Dilma Rousseff, na última terça-feira, dia 22, relatando o caso e solicitando urgente agendamento de reunião de órgãos de Governo para buscar uma solução racional que viabilize a regularização da área.
Na carta, a CSP-Conlutas relata que a Selecta deve cerca de R$ 10 milhões em IPTU à Prefeitura de São José dos Campos e que esse tributo nunca foi pago. Os moradores do Pinheirinho e a CSP-Conlutas defendem a desapropriação da área pela Prefeitura.
“O poder público não pode continuar fomentando esse impasse jurídico. No meio desse imbróglio, o povo será o único prejudicado. Para que esta história termine bem, tanto a Prefeitura quanto o Judiciário terão de parar de olhar somente para os interesses da Selecta”, afirma o coordenador do MUST, Valdir Martins de Souza, o Marrom.
"Queremos apoio de todos os trabalhadores, entidades sindicais, sociais, populares, políticas, democráticas e religiosas. Temos certeza que o povo de bem de São José não quer ver pais e mães de famílias sendo brutalmente reprimidos por defenderem seus lares. Temos de impedir que a crueldade da juíza mergulhe nossa cidade em sangue", disse Marrom.
Reunião
Uma reunião entre movimentos populares e sindicais da região acontecerá na próxima segunda-feira, dia 28, às 16h, na sede da CSP-Conlutas, em São José, à Rua Maurício Diamante, 68 - Centro. Na pauta, estará a discussão sobre a situação jurídica e social da Ocupação.
“Queremos ampliar essa discussão com diferentes centrais sindicais e movimentos populares. Esta é uma questão que diz respeito a toda cidade, não apenas a quem mora no Pinheirinho. Estamos chegando num momento em que não é possível mais adiar uma solução para o caso”, afirma Marrom.


