Centro do capitalismo mundial, os Estados Unidos estão sendo sacudidos por um série de protestos do movimento "Ocupem Wall Street", em referência à famosa rua que sedia a Bolsa de Valores de Nova Iorque e o império do sistema financeiro mundial.
Desde 17 de setembro, os manifestantes se opõem a Wall Street para protestar contra a iniciativa do governo Obama e das grandes corporações de jogar os efeitos da crise sobre suas costas. Estudantes, trabalhadores e desempregados ocupam um parque próximo ao centro financeiro de Manhattan. Durante as manifestações são ouvidos coros contra a corrupção, a cobiça e os cortes de orçamento do governo federal norte-americano.
No sábado, dia 1º, mais de 700 pessoas foram presas apenas por bloquear o trânsito, mas nem por isso o movimento esfriou. A truculência da polícia foi absurda, o que somente aumentou mais ainda a raiva dos manifestantes.
O prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, um bilionário que fez fortuna no mundo corporativo, disse que - advinhem - os manifestantes estão errados.
Maior problema para as autoridades norte-americanas e especialmente para o presidente Barack Obama é que os protestos estão se espalhando para várias outras localidades dos Estados Unidos e até no Canadá, numa ação que está realmente surpreendendo os poderosos de Washington.
Na Europa, ruas ocupadas
Enquanto a América é sacudida, na Europa os protestos também pressionam fortemente governos e suas chamadas políticas de austeridade, que nada mais são do que propostas de privatização, cortes nos salários do funcionalismo, aumento de impostos, redução de aposentadorias e outros ataques.
Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Lisboa e no Porto, neste sábado, para protestar contra este pacote de maldades, orquestrado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Tratam-se dos primeiros protestos de peso desde que um governo de centro-direita assumiu o país, em junho deste ano.
A estimativa é que mais de 130 mil pessoas participaram da mobilização. O maior sindicato, o CGTP, que organizou as manifestações, pediu por mais protestos “contra a pobreza e a injustiça e contra a agressão do Fundo Monetário Internacional”.
Sob os termos do pacote de resgate de 78 bilhões de euros (US$ 104 bilhões), o governo português vai aumentar impostos, cortar gastos, aplicar reformas trabalhistas e privatizar estatais.
Já na Grécia, palco de intensos enfrentamentos entre os manifestantes e as forças repressoras, continua a luta contra o ataque aos trabalhadores e o mais pobres.
Na semana passada, funcionários públicos bloquearam o acesso a ministérios gregos, num protesto contra mais medidas de austeridade exigidas para se entregar uma nova parcela da ajuda financeira, já que Atenas está a um passo da moratória.
Sem mais dinheiro, a Grécia pode atrasar salários e pensões. Para tentar receber novos recursos, o governo local ofereceu, com o perdão do trocadilho, um "presente de grego" aos trabalhadores: anunciou mais impostos, cortes de salários e demissões em massa de funcionários públicos.
Na Espanha, a história se repete. Dezenas de milhares de professores, pais e alunos voltaram às ruas de Madri nesta terça-feira, dia 4, para protestar contra os cortes orçamentários na educação decididos pelo governo regional, apenas uma das facetas do plano implementado no país.
No mês passado, a Itália também protestou contra o segundo pacote de austeridade, aprovado pelo parlamento local. As medidas incluem facilitação de demissões, aumento de impostos e antecipação do aumento da idade de aposentadoria das mulheres, dos 60 para os 65 anos.
O que se observa vendo esta série de mobilizações é que os povos estão se rebelando. Trabalhadores e estudantes estão tomando as ruas e prometem ficar. Se a insensibilidade dos governos persiste, o recado está sendo dado: basta de jogar a crise em nossas costas! Este é o caminho.


