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Violência contra a mulher 03/01/2017 | 14:00

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Chacina em Campinas escancara impacto do machismo na sociedade

Em carta, assassino deixou claro ódio às mulheres e a vontade de inspirar outros homens a fazerem o mesmo

2017 começa com mais um caso de violência provocada pelo machismo e intolerância. No dia 31 de dezembro, Sidnei Ramis de Araujo invadiu a casa onde estava seu filho, sua ex-esposa e familiares. Seu objetivo: assassinar o maior número de mulheres que conseguisse.

“Quero pegar o máximo de vadias da família juntas”, escreveu Sidnei em uma carta. Ele matou 11 pessoas naquela noite. Além do filho, João Victor Filier, de apenas oito anos, Sidnei pôs fim à vida de nove mulheres, incluindo sua ex-esposa, Isamara Filier.

A vingança pela separação e a briga pela guarda do filho são apontados como os principais motivos do crime. Investigado por abuso sexual contra a criança, Sidnei havia perdido a guarda do filho em 2012. De lá pra cá, em pelo menos cinco ocasiões Isamara registrou boletins de ocorrência contra Sidnei, em sua maior parte devido a ameaças de morte e agressões.

Mas a carta deixada por Sidnei, que se matou após a chacina, revela uma outra face do ocorrido. No texto, a todo o momento ele se refere às mulheres como vadias e afirmava que queria inspirar mais homens a fazerem o mesmo, tudo em nome da “justiça”.

Infelizmente, não foram poucos os comentários em defesa do assassino na internet, comprovando a naturalização da violência contra a mulher na sociedade. O discurso machista e de ódio propagado pelos setores mais conservadores da sociedade, inclusive por partidos políticos, chegou à realidade em sua pior forma.

“Embora esteja provado que o pai não tinha a menor condição de cuidar da criança, muitas pessoas continuam colocando a culpa na mãe. O machismo está exatamente ai, quando as pessoas insistem em culpar a mulher, não importa a situação”, afirma a diretora do Sindicato Aline Bernardo dos Santos.

Números da violência contra a mulher
Apesar dos avanços obtidos pela Lei Maria da Penha, o governo brasileiro ainda é incapaz de garantir a proteção das mulheres. Muitas vezes, mesmo após a denúncia, esposas são obrigadas a voltar ao convívio com o marido agressor. Isso ocorre pela ineficiência estatal em providenciar, por exemplo, uma rede ampla de casas-abrigo. Além disso, também é notável a necessidade de mais delegacias da mulher, inclusive atuando 24 horas por dia. 

Não é à toa que o Brasil ainda ocupa o quinto lugar no ranking de países com mais casos de violência contra a mulher. Segundo a ONU, somente em 2013 foram assassinadas 4.762 mulheres no País. As quase cinco mil mortes representam 13 assassinatos a cada dia. A falta de um real sistema de proteção às vítimas da violência contra a mulher explica esse índice.

“Infelizmente o Brasil é um dos lugares em que o machismo mais cresce. Nossas leis ainda não dão conta dessa situação e muitas vezes a Lei Maria da Penha não é seguida. Por isso é importante que não só as mulheres, mas toda a sociedade entre na luta contra o machismo e a violência contra a mulher", conclui Aline. 

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