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Opinião 22/11/2016 | 12:13

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Corrupção na Embraer

Artigo publicado no Jornal O Vale, edição desta terça-feira (22)

Herbert Claros, vice-presidente do Sindicato

O envolvimento da Embraer em corrupção coloca em risco o emprego de trabalhadores que nada têm a ver com propinas e negócios fraudulentos. Desde outubro, a Embraer já demitiu mais de 1600 funcionários. Agora, quer suspender o contrato (layoff) de outros 2 mil.

Por mais que a Embraer tente maquiar a situação, não há como negar que esses trabalhadores estão pagando uma conta que não é deles. Cada trabalhador demitido ou suspenso entra nos cálculos feitos pela Embraer para economizar US$ 200 milhões. Esse dinheiro sairá do bolso dos trabalhadores para ir direto para o acerto de contas da empresa com as justiças norte-americana e brasileira.

Já é de conhecimento público que a Embraer ofereceu propina para garantir a venda de aviões na República Dominicana, Moçambique e Arábia Saudita. Para colocar um ponto final nas investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, a Embraer terá de pagar US$ 206 milhões.

Não se pode admitir que os trabalhadores paguem com seus empregos por crimes cometidos por altos executivos da empresa (que, a propósito, continuam recebendo polpudos salários). Exigimos que a Embraer garanta estabilidade no emprego para todos os trabalhadores de suas fábricas no Brasil. Não por acaso, esta é uma das propostas apresentadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos durante as negociações sobre o layoff. Sem a estabilidade, as demissões continuarão sem qualquer freio.

Também apontamos como alternativa ao layoff a redução da jornada de trabalho de 43h para 40 horas semanais sem redução de salário. Esta é uma antiga reivindicação sobre a qual a Embraer sempre se recusou a discutir. A medida geraria postos de trabalho sem comprometer o caixa da empresa. Aliás, a Embraer é a fabricante de aviões com maior jornada de trabalho em todo o mundo. Portanto, cai por terra o velho argumento de que uma jornada menor a tornaria menos competitiva. Pura balela.

Na fábrica, a pergunta que prevalece é: ao aceitarem o layoff, os trabalhadores estarão com seus empregos garantidos? Se depender da Embraer, não. Sem que a sociedade exerça pressão sobre a empresa, dificilmente os empregos serão preservados.

Em defesa dos empregos, o Sindicato dos Metalúrgicos já alertou os governos federal, estadual e municipal sobre a gravidade dos fatos, mas esses governantes não demonstraram preocupação com os trabalhadores. Eles se esquecem que a Embraer é amplamente beneficiada com dinheiro público, por meio de redução de impostos, financiamentos e vendas para o governo federal.

Que fique bem claro: a Embraer não está em crise financeira. O prejuízo registrado nos primeiros nove meses deste ano tem uma explicação lógica. Nesse período, o lucro ajustado foi de R$ 406 milhões. Entretanto, depois de contabilizar as provisões relacionadas à multa da corrupção e outros itens (como impostos), a empresa registrou um prejuízo de R$ 62,9 milhões. No terceiro trimestre o rombo se repetiu, mas não por culpa dos trabalhadores. O lucro de R$ 255 milhões transformou-se em um prejuízo de R$ 111,4 milhões por conta da corrupção e do PDV (Programa de Demissão Voluntária). Sem isso, a Embraer teria lucro.

Além de reivindicar a estabilidade no emprego e redução da jornada, o Sindicato também defende a prisão dos corruptos e bloqueio de seus bens para que devolvam o dinheiro roubado. Esses sim têm de pagar a conta da corrupção.

 

 

 

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