Este ano, a arrecadação federal está "bombando" - para se usar uma expressão muito utilizada atualmente. No entanto, o governo Dilma Rousseff, ao invés de atender as reivindicações dos trabalhadores, anunciou, na tarde desta segunda-feira, dia 29, a destinação de mais dinheiro para o pagamento de juros da dívida pública.
São mais R$ 10 bilhões, que totalizam R$ 91 bilhões do chamado "superávit primário", que, em resumo, é a economia que o país faz para pagar os juros da dívida. É dinheiro que sai do Orçamento da União, dos gastos com saúde, educação, habitação e outros e vai para o bolso dos banqueiros. Incluindo os gastos de estados, municípios e empresas estatais, o superávit primário chega a R$ 127,9 bi.
O governo Dilma já havia anunciado, no início de 2011, um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento.
Ao expor a medida, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo irá segurar novas despesas. Traduzindo a linguagem neoliberal do governo, isso significa arrocho aos servidores públicos e aposentados e cortes nas áreas sociais. Há duas semanas, o Planalto já havia vetado qualquer tipo de aumento real aos aposentados no próximo ano.
Acontece que, enquanto a classe trabalhadora fica com o pacote de maldades do governo, os patrões recebem a parte boa e ainda mais dinheiro. É o caso do programa "Brasil Maior", anunciado recentemente pela presidente Dilma, que destinará R$ 25 bilhões aos empresários, com isenção fiscal para vários segmentos.
A conta para os trabalhadores
Apesar da crise ainda não ter chegado ao Brasil e o país ainda colher os frutos de um forte crescimento econômico, com as empresas obtendo produção e lucros recordes, o governo não tem feito outra coisa senão preparar o país para uma recessão. E, para isso, está tomando medidas que preservam empresários e investidores, e joga os efeitos da crise nas costas dos trabalhadores.
Clique aqui para ler o artigo da coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida no Brasil, Maria Lúcia Fatorelli, sobre a crise nos Estados Unidos.


