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Setor aeroespacial 16/02/2016 | 18:04

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Sindicato critica desnacionalização da Embraer em audiência no Senado

Setor aeroespacial apresenta forte crescimento mundial, mas Brasil pode perder oportunidade

Uma audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (16), no Senado, debateu a realidade, desafios e perspectivas do setor aeroespacial brasileiro. A audiência foi convocada pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos. A Embraer, apesar de convidada, mais uma vez fugiu do debate.

O presidente do Sindicato Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, foi um dos participantes do debate e fez duras críticas ao processo de desnacionalização das aeronaves da Embraer, principal empresa do setor aeronáutico do país. Também fizeram parte da delegação do Sindicato o diretor Márcio José Barbosa, o Zeca, e o assessor Edmir Marcolino da Silva.

“A Embraer não vive hoje sem dinheiro público, através do BNDES, de projetos militares como o KC-390 ou de desonerações como a da folha de pagamento. Apesar disso, transfere a produção de aeronaves e geração de empregos para o exterior. O governo tem de exigir que a produção e o emprego permaneçam no Brasil”, disse Macapá.

A Embraer vai transferir a produção dos jatos Legacy e do Phenom para os Estados Unidos ainda este ano. Além disso, os jatos E2 deverão ser montados em Portugal e parte das peças do KC-390 já está sendo produzida por lá e em outros países.

Esse processo ameaça toda a cadeia aeronáutica concentrada no Vale do Paraíba, como as empresas C&D e Latecoere, e coloca em risco o emprego de mais de 2.000 trabalhadores diretos e indiretos.

O presidente do Sindicato também criticou a política econômica do país, que impede iniciativas estatais nos segmentos espacial e de defesa. Macapá se referia à necessidade de estatizar as empresas dos setores, inclusive a Embraer.

Desafios e perspectivas
O debate escancarou uma realidade preocupante para as empresas brasileiras do setor aeroespacial e uma série de desafios a serem enfrentados. Segundo os participantes, é necessária uma estratégia clara do Estado e muito planejamento para colocar o país na rota dos investimentos em um mercado que apresenta forte expansão e movimenta mais de US$ 320 bilhões no mundo todo.

“O faturamento da indústria espacial mundial cresceu 217% desde 2001. Sem um objetivo claro e investimentos em tecnologia e pessoal, o Brasil corre sério risco de não se firmar como protagonista nesse setor de tecnologia avançada que deve se consolidar nos próximos cinco anos”, afirmou o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Leonel Fernando Perondi.

Além da delegação do Sindicato, participaram da audiência o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, o diretor geral do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCTA), tenente Brigadeiro do Ar Alvani Adão da Silva, o diretor-presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), Walter Bartelis, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Fernando Perondi e o diretor de comunicação do Sindicato Nacional de Ciência e Tecnologia (SindCT), Gino Genaro.
 
Confira a participação do presidente do Sindicato abaixo:

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