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15/01/2016 | 17:21

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Números mostram que Embraer mentiu aos trabalhadores durante campanha salarial

Empresa registra recorde de entrega de aeronaves dos últimos cinco anos

O balanço de entregas de aviões feito pela Embraer comprova que a empresa mentiu aos trabalhadores.
Durante a campanha salarial, a Embraer se recusou a dar aumento real alegando que o mercado estava em crise. Mas na última quinta-feira (14), a direção da empresa divulgou que encerrou 2015 com 221 aeronaves entregues, o maior volume dos últimos cinco anos.
Foram 101 aviões para o mercado de aviação comercial e 120 para o de aviação executiva.
"A Embraer mentiu para o trabalhador, mas agora a máscara caiu. Enquanto achatam os salários dos trabalhadores, os acionistas da empresa lucram cada vez mais", afirmou Herbert Claros da Silva, vice-presidente do Sindicato.
No anúncio oficial, a Embraer afirmou ter cumprido as estimativas de entrega, com uma aeronave a mais em relação ao previsto no segmento de aviação comercial. Ao fim de dezembro de 2015, a carteira de pedidos firmes a entregar totalizou US$ 22,5 bilhões.
"Os números mostram que a Embraer está bem longe de um cenário de crise", disse Hebert.

Desnacionalização

A Embraer segue firme com sua política de desnacionalização, que ameaça o emprego de trabalhadores diretos e indiretos em nossa região.
A partir deste ano, os aviões executivos Phenom 100 e 300 deixam de ser montados na fábrica de São José dos Campos e passam a ser produzidos na unidade da Embraer em Melbourne, na Flórida. A empresa já anunciou que vai concentrar toda a produção de sua aviação executiva nos Estado Unidos.
A desnacionalização tem como único objetivo aumentar o lucro dos acionistas da Embraer. O encerramento da produção de jatos executivos representa o corte de cerca de 800 postos de trabalho diretos e outras centenas de indiretos no Brasil.
As empresas parceiras da fabricante de aviões vivem clima de tensão. "A Embraer se beneficia com dinheiro público repassado pelo governo, explora o trabalhador e agora quer mandar nossos empregos para outros países. Temos que nos unir e impedir a política de desnacionalização da Embraer, caso contrário em três anos grande parte das parceiras não terão mais trabalho ", disse José Eduardo Gabriel, o Bob, diretor do Sindicato.
O Sindicato lançou a Campanha contra a Desnacionalização da Embraer para defender a manutenção dos postos de trabalho no Brasil, inclusive realizou uma audiência pública na Câmara de São José para discutir o assunto, em dezembro. Nenhum representante da Embraer compareceu ao evento.
“A direção da Embraer se recusa a debater o assunto com os trabalhadores, numa clara demonstração de que não há argumentos que justifiquem a transferência da produção para o exterior e o corte de postos de trabalho no Brasil", disse Hebert.

 

Foto: Roosevelt Cassio
 

 

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