O ritmo acelerado imposto pelas empresas e a pressão sobre os trabalhadores, cada vez maior, têm feito aumentar o número de acidentes graves nas fábricas da região. Casos recentes aconteceram na GM, Embraer e na MWL.
Na GM, o acidente aconteceu na Estamparia, no último dia 7. Uma mesa de cerca de uma tonelada atingiu o CT Renatinho, que foi hospitalizado após quebrar sete costelas, clavícula e o estápulo (osso das costas). Também perfurou o pulmão e sofreu escoriações por todo o corpo. Até o final da tarde desta terça, ele ainda estava hospitalizado.
O setor está cheio de irregularidades, já apontadas pela CIPA. Alertada, a GM não tomou providências, mesmo sabendo que outro trabalhador já morreu no mesmo local, em 2009.
Aliás, uma das causas do acidente foi justamente a falta de um cavalete com antiderrapante e um limitador de segurança. Os empilhadeiristas têm de usar o velho “olhômetro” para realizar as manobras próximas às prensas.
“O limitador é um equipamento extremamente importante e a empresa sabe disso. É um absurdo uma montadora do porte da GM não ter um na área”, afirma o cipeiro Odair.
Na Embraer, outro acidente grave aconteceu no início do mês no F60.
Durante um procedimento de rotina, a braçadeira da tampa de pressurização de um compressor estourou e atingiu em cheio a testa de um trabalhador.
A vítima foi atendida pelo Departamento Médico da empresa, levou 17 pontos e foi mandado pra casa. A empresa nem se deu o trabalho de levar o trabalhador para um hospital para fazer exames.
“O pior é que o supervisor e a gerência da área estão querendo minimizar o caso e andam dizendo que o acidente não foi grave. Uma atitude no mínimo absurda, pra não dizer irresponsável”, disse o diretor André Luis Gonçalves.
Caçapava
A MWL é uma das empresas que tem batido recordes de acidentes com mutilação, sem contar os casos de LER/DORT e depressão.
A empresa não presta o devido atendimento ao trabalhador e ainda tenta descaracterizar o acidente, registrando na CAT como “trauma” uma mutilação de membros.
“Os trabalhadores devem estar atentos e procurar um cipeiro, dirigente sindical ou o Departamento de Saúde do Sindicato”, orienta o diretor Rogério de Oliveira.


