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Mobilização 29/04/2015 | 15:21

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Greve dos professores já atinge seis estados

Categoria exige melhores salários, mais investimento e respeito à educação

Em seis estados do país, os trabalhadores da educação dão uma aula nas ruas, ensinando que só a luta arranca vitórias. Os professores de São Paulo, Pernambuco, Pará, Paraná, Santa Catarina e Paraíba estão em greve. Em Minas Gerais, os docentes ameaçam iniciar uma paralisação esta semana.

Em São Paulo, a greve completou 49 dias nesta quarta-feira, dia 29. A negociação entre a Apeoesp e a Secretaria de Educação segue com um impasse: o governo se nega a conceder reajuste salarial e a proposta ainda é de aumento zero.

As assembleias da categoria acontecem semanalmente e têm resultado em grandes manifestações, com milhares de pessoas nas ruas de São Paulo. É uma forte demonstração de resistência aos ataques e à intransigência do governo Alckmin (PSDB).

No Pará e em Santa Catarina, os professores estão em greve há mais de 30 dias. Em Pernambuco, a greve teve início no dia 13 e na Paraíba, dia 1°.

Os professores do Paraná também retomaram, neste sábado, dia 25, a greve suspensa em março. O movimento é uma resposta à postura do governo Beto Richa (PSDB), que descumpriu vários pontos do acordo fechado naquele momento. No entanto, o governador continua respondendo à luta dos professores com repressão.

Na tarde desta quarta-feira, dia 29, trabalhadores da educação e estudantes da rede pública fizeram uma manifestação na frente da Assembleia Legislativa do Paraná, contra a aprovação do Projeto de Lei que modifica a previdência dos servidores estaduais. A manifestação foi recebida por cerca de 2000 policiais militares com bombas de gás, bala de borracha e jata d'água. Pelo menos 100 manifestantes ficaram feridos.

Caos na educação
As greves que tomam conta do país são uma demonstração de que a educação pública brasileira vive um momento de colapso.

No discurso de posse, Dilma Rousseff anunciou que a prioridade do governo seria a educação e declarou que o lema do governo seria: “Brasil: Pátria educadora”. No entanto, os cortes na educação são uma regra geral dos governos, seja em nível federal ou estadual, seja sob governos do PT, PSDB, PMDB, PSB e outros. Já no início do mandato, o corte foi de R$ 7 bilhões do orçamento da educação.

Baixos salários, precarização de direitos, salas superlotadas, falta de materiais básicos nas escolas, como giz ou papel higiênico, são alguns dos graves problemas que fazem parte do dia a dia da categoria. Essa situação afeta de forma profunda a qualidade de ensino no país.

A precarização das condições de trabalho é outro grave problema. Em São Paulo, dos cerca de 200 mil professores da rede, 15 mil são temporários. No ano passado, os temporários eram 57 mil, mas, com o corte de verbas e fechamento de salas determinado pelo governo tucano, 42 mil foram demitidos.

Mesmo diante da força das greves no país, a postura dos governos é de intransigência e total descaso. Alckmin chegou a dizer que a greve, que já dura quase dois meses, não existe. No Paraná, Beto Richa mandou reprimir os lutadores e, no Pará , o governador Simão Jatene (PSDB) pagou uma propaganda na TV para divulgar mentiras contra a greve e jogar a população contra a mobilização.

“É preciso garantir apoio e solidariedade aos professores de todo o país. A força dessa luta deve servir de lição para todos os trabalhadores do Brasil. É com mobilização que vamos conseguir barrar os ataques dos governos”, afirmou o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

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