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Opinião 18/11/2014 | 10:13

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A greve na Embraer

Artigo publicado no Jornal O Vale, domingo, dia 16

Herbert Claros, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
 
Na semana que passou, São José dos Campos assistiu a uma greve histórica na Embraer. Pela primeira em vez em duas décadas, toda a produção e administrativo de uma das maiores fabricantes de aviões do mundo pararam por quatro dias. É claro que uma paralisação como aquela não passaria em branco, sem gerar polêmicas. Se de um lado houve as costumeiras críticas ao Sindicato dos Metalúrgicos, do outro houve milhares de trabalhadores insatisfeitos com seus salários.

No centro dessas duas vertentes, está a Embraer com sua contínua política de desvalorização salarial, repressão aos trabalhadores e transferência de investimentos e empregos para o exterior. Cada um desses três pontos merece ser analisado para que, ao final, a população possa entender o que de fato motivou o início e a suspensão da greve.

Desde julho, os trabalhadores da Embraer reivindicam um reajuste salarial de, pelo menos, 10%. Ao longo dos meses, o Sindicato organizou diversas assembleias em que foi rejeitada a proposta de 7,4% apresentada pela Embraer. Se fosse aprovado, este seria o menor reajuste da categoria metalúrgica. Menor do que os concedidos até mesmo por pequenas oficinas mecânicas.

No dia 21 de outubro, os trabalhadores realizaram uma greve de 24 horas. Naquele dia, durante a assembleia, o Sindicato divulgou um número que a Embraer não faz a menor questão de expor.
Mostramos que, este ano, a empresa dividiu R$ 16 milhões entre oito diretores, a título de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Enquanto isso, 17 mil trabalhadores dividiram R$ 35 milhões (R$ 912 + 12,4% sobre o salário). A diferença é tão brutal que é impossível não causar indignação.

Embora a PLR não estivesse na pauta das reivindicações daquela assembleia, certamente serviu de estopim para a paralisação. No outro dia, a greve foi suspensa porque os trabalhadores decidiram dar um voto de confiança para a Embraer. Mas a empresa não entendeu o recado. Duas semanas depois, deu-se início à greve por tempo indeterminado.

Esses trabalhadores nada mais fizeram do que exercer o livre direito à greve, previsto pela Constituição Federal. Aqui entra o segundo ponto citado no início deste artigo: a repressão. Durante a paralisação, funcionários da Embraer foram coagidos pela chefia para que retornassem ao trabalho e vestissem azul no dia da assembleia, votando contra a proposta do Sindicato. A empresa ainda se valeu de uma rede social para manobrar e monitorar trabalhadores. Até mesmo pessoas que não trabalham na fábrica foram inseridas na assembleia para votar a favor da Embraer. Uma prática abominável!

Chegamos, por fim, ao terceiro ponto: a transferência de empregos e investimentos para o exterior. Já tratamos deste assunto aqui, neste mesmo jornal, mas sempre surgem novos dados que nos obrigam a voltar ao tema. Observe esta comparação: entre 2009 e 2013, o número de trabalhadores da Embraer no Brasil cresceu 8,46%. Achou bom? Pois bem. No exterior, as contratações subiram 119%. Mesmo assim, a empresa continua sendo fartamente beneficiada pelo governo federal. Nenhuma outra empresa privada recebeu tantos repasses do governo no ano passado quanto a Embraer, chegando a R$ 1,113 bilhão.

Quando começou a greve, uma parcela da sociedade deu início a fortes críticas ao Sindicato, argumentando que seus dirigentes não estão preocupados com os trabalhadores. Muito pelo contrário, queremos mais empregos e melhores salários para todos. Quem parece não estar preocupada é a própria Embraer. Pense nisto.

 

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