Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

Voltar para Página Inicial

Imprensa / Últimas Notícias

Caçapava 13/07/2011 | 12:52

  • Aumentar Fonte
  • Diminuir Fonte
  • RSS
  • Imprimir
  • Enviar por e-mail

Sessão de Câmara é marcada por manifestação contra o chumbo

Protesto, organizado pelo Sindicato, CSP-Conlutas e PSTU, entregou abaixo-assinado com cerca de 2 mil assinaturas contra fábrica de chumbo na cidade

Protestos e discussões marcaram a última sessão da Câmara de Caçapava, nesta terça-feira, dia 12. Manifestantes lotaram o plenário para a entrega do abaixo-assinado com cerca de 2 mil assinaturas contra o projeto de lei 50/2011, que alterou a lei de zoneamento do município para liberar o funcionamento de fábricas de chumbo na cidade.

A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, CSP-Conlutas e PSTU, lotou o plenário. O clima era de indignação e revolta contra a maioria dos vereadores que aprovaram o projeto, em regime de urgência, sem qualquer discussão com a população, no dia 21 de junho. No dia 29, o prefeito Carlos Vilela (DEM) aprovou a lei.

De forma autoritária e desrespeitosa, a Câmara chegou a chamar a Polícia Militar para dentro do plenário numa tentativa de intimidação. O vereador Paulo Eugênio (DEM), autor do projeto de lei, se exaltou e chegou a ofender a população presente, chamando-os de "vagabundos" e falando outras palavras de baixão calão.

Fórum contra a fábrica de chumbo

Com a presença de representantes de outras entidades foi criado o Fórum por Melhor Qualidade de Vida, pelo Emprego e contra as Indústrias Poluidoras. Além do Sindicato dos Metalúrgicos, CSP-Conlutas e PSTU, participam o Sindicato dos Químicos, Sindicato dos Servidores Municipais de Caçapava e a Regional da Apeoesp em Caçapava. A meta, porém, é reunir mais entidades, organizações e pessoas para entrar nessa luta.

O Fórum vai dar continuidade à campanha para impedir o beneficiamento de chumbo na cidade. As entidades procurarão o Ministério Público e a Cetesb, bem como continuarão mobilizando a população e realizando ações nos bairros.

"As ofensas do vereador Paulo Eugênio à população são inadmissíveis. Não bastasse propor uma lei para permitir o funcionamento de uma fábrica da morte, as ofensas que fez à população na sessão de ontem foi total falta de decoro parlamentar. Tem de ser cassado", disse o diretor do Sindicato, Edmir da Silva.

"A forma como a Câmara e a Prefeitura estão agindo nesse caso mostra total falta de conhecimento ou má-fé, afinal, como liberam o funcionamento de uma fábrica altamente poluidora, que já tem histórico de não pagar direitos trabalhistas? Portanto, nossa luta continua e vai aumentar. Não queremos repetir a história da antiga Faé, fábrica de Caçapava, ou da Tonolli, em Jacareí, que poluiu e contaminou trabalhadores, água, solo e gado no passado", afirmou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos.

O que há por trás da lei do chumbo

O bairro da Germana, região onde houve a mudança da lei de zoneamento, abriga a fábrica Italspeed, que reduziu drasticamente sua produção de cabeçotes e rodas de alumínio no final do ano passado e demitiu 140 trabalhadores. Agora, a empresa quer retomar as atividades no segmento de lingotes de chumbo, através da reciclagem de bateria. A lei foi alterada pela Câmara a pedido da Italspeed.

Ocorre que a Italspeed pertence ao empresário Giuseppe Trincanato, mesmo proprietário da Tonolli, fábrica que foi lacrada em Jacareí pelo Ministério Público em 2001, em razão de seus graves crimes ambientais. Por mais de 20 anos, a empresa produziu lingotes de chumbo a partir de reciclagem de bateria. O processo produtor gerou milhares de toneladas de resíduos poluidores, depositados irregularmente a céu aberto, contaminando solo, plantações e lençol freático.

Tanto a Italspeed, quanto a Tonolli, nunca respeitaram os direitos trabalhistas. Trabalhadores das duas empresas ainda lutam na Justiça para receber dívidas trabalhistas.

Repúdio da população

O repúdio ao projeto que liberação fábricas de chumbo na cidade é geral na população. No bairro Nova Caçapava, próximo à Italspeed, todos lembram dos casos de trabalhadores que adoeceram em contato com o chumbo na Faé e do gado que morreu contaminado.

"É um projeto que só beneficia o dono da Italspeed. Quem defende esse projeto em nome do emprego é demagogo e mentiroso. Como podem esquecer o mal que a Faé fez à cidade", disse o ambientalista Carlos Ventura.

A estudante Juliana Cursino da Costa, de 17 anos, que também acompanhou a sessão de Câmara, também disse ser contra. "Ouvi os dois lados e opiniões sobre o tema, e penso que essa fábrica não é viável. Li sobre o assunto e para se trabalhar com chumbo tem de ter muito cuidado e investimento para evitar contaminação, coisa que os empresários não fazem", opinou.

Juliana também questionou a falta de democracia na sessão de ontem. "As pessoas têm direito de se manifestrar. Colocamos eles ali e eles têm de ouvir a população", disse

Conteúdo Relacionado

Veja mais Notícias



Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Santa Branca e Igaratá
Sede: Rua Coronel Moraes, 143, Jardim Matarazzo, São José dos Campos - SP | Telefone: (12) 3946.5333 | Fax: (12) 3922.4775.
© 2019 Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região - Todos os direitos reservados | Desenvolvimento Web: ClickNow®