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Farra com dinheiro público 04/07/2011 | 09:26

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Governo Dilma financia fusão do Pão de Açucar e Carrefour

Além de totalmente questionável a ajuda de um banco público na transação, o negócio é polêmico e nocivo à população

A fusão dos Grupos Pão de Açúcar e Carrefour tem sido destaque na imprensa nacional desde a última terça-feira, dia 28. O caso tem chamado a atenção pela formação de um poderoso monopólio no setor varejista no país, bem como pela intervenção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na operação.

O BNDES autorizou a injeção de R$ 3,9 bilhões para a fusão das duas redes. Além de totalmente questionável a ajuda de um banco público na transação, o negócio é polêmico e nocivo à população.

A fusão entre as redes formará um conglomerado com faturamento estimado de R$ 65 bilhões ao ano, 2.200 lojas e quase 214 mil funcionários. Por trás de todo esse colosso, está a perigosa formação de mais um monopólio sob o comando do empresário Abílio Diniz e o apoio questionável do governo federal a essa situação.

Os argumentos do governo e do próprio banco para tentar legitimar a operação são questionáveis.
A ministra-chefe da Casa Civil Gleisi Hoffmann disse que o recurso será "investido pelo BNDESPar, numa transação de mercado". Porém, tudo do sistema BNDES - para empréstimo ou para investimento - é público, venha do Tesouro, do Fundo de Amparo ao Trabalhador, de fontes internacionais ou do lucro de suas operações. O BNDES é um banco público, sem acionistas privados, e esse é o status também do BNDESPar.

A alegação de que a associação entre o Pão de Açúcar e o Carrefour "abrirá uma porta importantíssima para a colocação de produtos brasileiros industrializados no mundo inteiro", é igualmente ridícula.

O Pão de Açúcar já é associado a um grupo francês, o Casino. Os franceses terão, direta e indiretamente, 61% da empresa resultante da fusão entre o Pão de Açúcar e a unidade brasileira do Carrefour, se o projeto for aprovado pelo Casino, que resiste à oferta sob alegação de que não foi consultado.

"Essa operação é mais uma farra com dinheiro público e demonstra que a prioridade do governo Dilma é agir em benefício dos grandes empresários e banqueiros. É revoltante o BNDES repassar dinheiro público para a formação de um monopólio, enquanto anuncia corte de mais de R$ 50 bilhões no orçamento da União", critica o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros.

Além disso, o negócio que visa uma economia de R$ 8,4 bilhões e uma geração de caixa de até R$ 1,7 bilhão ao ano, pode significar o desemprego para muitos dos 214 mil funcionários, como ocorre em toda fusão.

"Além dessa intervenção questionável do BNDES, há a polêmica da própria fusão, que traz ameaças à população, seja pelo aumento de preços ou pela possibilidade de demissões na indústria diante da existência de um único comprador varejista ditando as regras do mercado", avalia Herbert.

Vale lembrar ainda que não é função do governo cuidar dos interesses do empresário Abílio Diniz , mesmo que ele seja uma figura aliada do PT como tem mostrado no último período. Diniz participa de um órgão ligado à Presidência - a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade - e teve participação ativa nas eleição da presidente Dilma e Lula.

Os trabalhadores e a população em geral devem repudiar esta situação. E a indignação já pode ser verificada. Em assembleias, os metalúrgicos estão repudiando a postura do BNDES e a própria fusão.

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