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Vergonha 18/03/2014 | 17:32

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Governo Dilma vai entregar "creches de plástico"

Construções podem colocar em risco a saúde e segurança das crianças

Para tentar cumprir promessas de campanha, o governo Dilma vai usar material plástico para construir três mil creches para a rede pública dos municípios.

Segundo reportagem publicada pela Revista Isto É (14 de março), os Centros Municipais de Educação Infantil (Cemeis) serão a partir de agora feitos de estruturas pré-moldadas em PVC. Especialistas apontam riscos para a saúde e segurança das crianças.

As creches foram uma das principais promessas de Dilma. Mas apenas 23% das seis mil unidades prometidas para 2014 foram concluídas. Para atingir a meta, o governo teria que entregar mais de 13 unidades por dia.

Para tirar o atraso e cumprir a promessa, a presidente resolveu “inovar” e substituir as construções tradicionais em alvenaria por modelos em PVC que são produzidos em um tempo médio de 60 dias.

O Tribunal de Contas da União (TCE) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil já questionaram o uso do PVC nas creches. São construções leves e sem base, com paredes feitas de chapas de plástico e fibra de vidro. Os prédios ficam praticamente soltos.

Colocadas sobre fundações rasas, as estruturas pré-moldadas só podem ser instaladas em terrenos planos e em regiões onde não aconteçam temporais, alagamentos ou enxurradas. Os prédios escolares também não podem ficar em encostas ou locais com árvores porque não agüentam qualquer tipo de impacto.

No caso de incêndio, o PVC libera uma fumaça altamente tóxica, apesar de não propagar as chamas.

Em Salvador, construções são “descartadas”
As creches de plástico foram testadas e reprovadas na capital baiana. Construídas pela prefeitura, tiveram que ser desmontadas porque a estrutura não comportou a manutenção das redes elétrica e hidráulica.

No estado de Alagoas, segundo a revista, as prefeituras também adotaram as escolas de plástico e tiveram dificuldade em ligar as redes de água e esgoto à rede padrão de fornecimento.

Segundo o TCU, o governo federal não realizou testes para verificar a resistência das creches feitas em PVC. “Nenhum ensaio de destruição foi feito para verificar a durabilidade das unidades de ensino, a resistência ao fogo e as suscetibilidades a condições climáticas comuns no País, como chuvas fortes e enxurradas”, diz o texto da reportagem.

O governo Dilma tampouco apresentou justificativa econômica para a escolha das estruturas pré-moldadas. Segundo o TCU, o custo médio da unidade em alvenaria seria de R$ 1 milhão, enquanto o prédio em PVC e concreto ficaria em R$ 900 mil. O único critério do governo foi o de agilizar a entrega para cumprir as promessas eleitorais.

Especialistas condenam uso do PVC
O uso do PVC na construção civil não é algo novo. O material de fato possui diversas possibilidades de aplicação, é durável, resistente e até reciclável. O que poucos sabem ou divulgam é que nenhum outro tipo de plástico faz tanto mal à saúde.

Segundo artigo da arquiteta e consultora de materiais Daniela Corcuera, por ser um produto produzido em laboratório, possui elementos altamente tóxicos. A exposição ao PVC pode causar diversas doenças como câncer, disfunção do sistema endócrino, lesões no aparelho reprodutivo, lesões no desenvolvimento infantil , lesões no cérebro e supressão do sistema imunológico.

Pesquisas demonstraram, ainda, que pessoas que permanecem muito tempo dentro de estruturas de PVC podem desenvolver asma e outras doenças respiratórias.

O pesquisador do Instituto Terra da Universidade de Columbia Joe Thornton diz que a fabricação e utilização do PVC também apresentam riscos ambientais.

“Governos, empreendimentos e organizações científicas têm reconhecido os riscos trazidos pelo PVC. Em praticamente todas as nações européias, determinados empregos do PVC foram totalmente eliminados por razões ambientais”, diz.

Risco para as crianças
O Movimento Mulheres em Luta, da CSP-Conlutas, repudia a construção de creches em PVC.

“Consideramos um absurdo que o governo utilize esse tipo de material que põe em risco a vida das crianças. Sabemos que este é um artifício para conseguir entregar as creches em ano eleitoral”, diz Janaína dos Reis, integrante do MML.

O MML vem lutando para que o governo federal cubra o déficit de 10 milhões de vagas em escolas da Educação Infantil no país.

“Mas exigimos que as creches sejam construídas em alvenaria, com material de qualidade. O governo gasta bilhões com a Copa e, ao mesmo tempo,trata com descaso a Educação. Esse dinheiro deveria ser investido em mais unidades escolares com segurança para as crianças”, afirma Janaína.

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