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Basta de discriminação 05/09/2013 | 12:03

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Em ato contra a opressão, trabalhadores relatam casos de preconceito

Embraer e Ericsson foram lembradas como empresas que usam de discriminação para atacar trabalhadores

Os metalúrgicos realizaram, na última quarta-feira, dia 4, um ato público contra a opressão no local de trabalho. O evento aconteceu na Câmara Municipal e cobrou punição às empresas que usam da discriminação de gênero, cor e orientação sexual para superexplorar os trabalhadores.

Os casos dos metalúrgicos Telma Cristina e Maximiliano Neves, vítimas de assédio moral e discriminação no local de trabalho, mostram como essas práticas são usadas de forma sistemática pelas empresas para dividir e explorar.

Em um vídeo produzido pelo Sindicato, Telma contou todo histórico de ofensas sofridas durante os cinco anos em que trabalhou na Embraer, até desenvolver um quadro grave de depressão, que traz sequelas até hoje. Ela foi demitida em 2009, sob alegação de “queda de produtividade”.

Telma trabalhava na produção do avião 145 e era a única mulher entre 59 homens. Ela conta que sempre foi considerada pelos colegas como uma pessoa que não se enquadrava no “perfil Embraer”. Na empresa existe uma espécie de regra informal de que os trabalhadores devem atender a um determinado perfil que é preferencialmente masculino, jovem e branco. “Por isso eu era sempre levada para fazer o serviço de limpeza”, conta.

Devido ao tratamento racista que recebia, Telma virou motivo de chacota entre os colegas e ganhou apelidos depreciativos, como o de “vassourinha”.

“Quando questionei a ordem de fazer a faxina, meu líder disse que, se ele mandasse eu varrer a pista de pouso, eu tinha que varrer. Ficou claro que meu trabalho era desvalorizado pelo fato de eu ser negra e mulher”, completa Telma.

Homofobia
Maximiliano, ex-trabalhador da Ericsson, também deu seu testemunho durante o ato. Ele contou como passou a ser humilhado e discriminado por um supervisor da fábrica.

Vítima de homofobia, Max procurou apoio em diversas instâncias da empresa, como Departamento de Recursos Humanos e Assistência Social, sem receber ajuda. E o que é pior, sendo ainda mais discriminado.

“Eu era chamado de maricas, viadinho pelo supervisor e pelos colegas. Quando procurei a assistente social, ela disse que isso era normal em um ambiente de trabalho e me aconselhou a fazer terapia”, relatou Max indignado.

Após o boato de que entraria com um processo contra o supervisor, Max foi demitido, sob alegação de que estava fazendo “fofocas” e desestabilizando o ambiente de trabalho. “Fiquei revoltado, não aceitei sair assim, de cabeça baixa, como um criminoso. Resultado: chamaram a segurança para me escoltar até a porta”, relatou.

Processos na justiça
Em ambos os casos, o Sindicato procurou a justiça, pedindo reintegração dos trabalhadores e ressarcimento pelos danos morais sofridos. O problema é que, historicamente, esses processos se arrastam por anos e a justiça costuma decidir a favor das empresas.

O advogado do Sindicato Aristeu Pinto Neto, que acompanha o caso da trabalhadora Telma desde o início, contou como a justiça ignorou todos os pareceres favoráveis a ela e derrubou a decisão de primeira instância, que condenava a Embraer ao pagamento de multa.

“É necessário que a justiça puna, de forma exemplar, as empresas que usam de preconceito. É preciso que elas sejam, de fato, lesadas, com o pagamento de altas multas, como uma medida pedagógica que as impeça de continuar com práticas discriminatórias”, avaliou Aristeu.

O ato na Câmara faz parte da campanha “Basta de racismo, machismo e homofobia. Por um mundo livre de opressão e exploração”, lançada pelo Sindicato para debater o tema das opressões na categoria metalúrgica e na sociedade.

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