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Evento na Câmara 28/08/2013 | 12:46

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Ato cobrará punição a empresa que pratica preconceito

Iniciativa vista combater racismo, machismo e homofobia nas fábricas da região

O Sindicato realizará no dia 4 de setembro um ato público exigindo punição às empresas que usam de racismo, machismo e homofobia para atacar e explorar ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras. O evento será na Câmara Municipal de São José, às 18h30.

O ato público faz parte da campanha “Basta de Machismo, Racismo e Homofobia. Por um mundo livre de opressão e exploração”, lançada pela entidade para debater o tema na sociedade e exigir a reintegração de trabalhadores metalúrgicos que perderam seus empregos por conta da política de preconceito instalada pelas empresas.

Em nossa região, são muitos os casos de fábricas metalúrgicas que usam deste tipo de opressão para superexplorar os operários, rebaixando salários, retirando direitos e usando de assédio moral e sexual como forma de coerção.

Embraer e Ericsson
Alguns casos mais conhecidos envolvem as empresas Embraer e Ericsson.
Em 2009, a Embraer demitiu a trabalhadora Telma Cristina de Souza Martiniano, após cinco anos de trabalho, sob forte assédio moral, racismo e machismo.

Apesar de exercer a função de montadora, Telma era constantemente pressionada a realizar a limpeza do local de trabalho, o que a levou a receber apelidos depreciativos, como “vassourinha”. A trabalhadora conta que este tipo de comportamento opressivo era incentivado pela empresa, partindo, muitas vezes, da própria chefia.

Em função da discriminação sofrida, ela desenvolveu um quadro de depressão profunda. Mesmo sendo a responsável direta pelo problema de saúde da trabalhadora, a Embraer a demitiu alegando “queda de produtividade”.

Caso semelhante aconteceu na Ericsson. Em junho, a empresa demitiu um trabalhador vítima de homofobia. Fernando (nome fictício) trabalhava há três anos na empresa e passou a ser alvo de piadas preconceituosas por parte dos chefes.
Após um boato de que entraria com um processo contra o superior, Fernando foi demitido.

Em ambos os casos, o Sindicato entrou com ações na justiça pedindo a imediata reintegração dos trabalhadores, além de reparação por danos morais.

A quem serve o preconceito?
É fato que as empresas usam do preconceito de gênero, cor e orientação sexual existentes na sociedade para dividir os trabalhadores e explorar mais.

Um levantamento feito em 2011 pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que, na região metropolitana de São Paulo, a diferença salarial entre negros e não negros é de 61%. Enquanto os negros recebem, em média, R$ 6,28 por hora trabalhada, os não negros recebem R$ 10,30.

Em relação às mulheres, o quadro é ainda pior. No setor da indústria, as não negras recebem em média R$ 8,70 por hora, enquanto as negras recebem apenas R$ 5,51.

Quando a comparação salarial é entre homens e mulheres, o problema é semelhante. Apesar de representarem 53,7% da população ativa do país, as mulheres ocupam apenas 45,4% dos postos de trabalho e recebem salários, em média, 30% menores que os dos homens, para o mesmo tipo de serviço.

Nas empresas metalúrgicas, embora desempenhem as mesmas funções que os homens, as mulheres recebem em média 20,6% a menos. No setor de eletroeletrônicos, onde são maioria, essa diferença chega a até 40,4%.

Em relação aos homossexuais, o maior problema é o da violência. Segundo Grupo Gay da Bahia, um dos poucos no país a reunir informações
sobre violência e sexualidade, em 2012, um homossexual foi assassinado no Brasil a cada 36 horas. Esta realidade pode ser ainda pior, já que nem todos os crimes por homofobia podem ser identificados.

O Brasil é país campeão em assassinato de homossexuais. Em 2012, 44% dos casos de homofobia letal aconteceram no Brasil. O caso da Ericsson não deixa dúvidas de que essa violência é refletida no espaço de trabalho.

Basta
Por meio da campanha “Basta de Machismo, Racismo e Homofobia”, o Sindicato pretende promover o debate na categoria e conscientizar os trabalhadores de que é preciso unidade para acabar com esta diferenciação que só beneficia os patrões.

“Somos todos trabalhadores e temos de dar um basta, de uma vez por todas, nesta política dos patrões de usar as diferenças de gênero, cor e orientação sexual para nos desunir e superexplorar. Nossa luta é uma só, contra os patrões, por um mundo livre de opressão e exploração”, afirma a diretora do Sindicato Rosângela Calzavara.

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