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Por direitos 16/08/2013 | 13:52

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Metalúrgicos mantêm greve e acampamento na Alestis

Trabalhadores lutam por PLR, maiores salários e denunciam falta de segurança na produção

Manuela Moraes

Em uma demonstração de força e mobilização, a greve dos metalúrgicos da Alestis chega a cinco dias nesta sexta-feira, dia 16. Para pressionar a empresa a atender a reivindicação de pagar a PLR, os trabalhadores montaram um acampamento em frente à fábrica, na quarta-feira, onde passam o dia.

Enfrentando o frio, o vento e a chuva, os trabalhadores se dizem dispostos a permanecer no local até serem atendidos. “Estamos unidos e dispostos a seguir com o acampamento até a vitória”, afirmou a trabalhadora Ana (nome fictício).

Até o momento, não houve avanço nas negociações. A Alestis Aerospace tem origem na Espanha, onde mantém cinco plantas, além da unidade no Brasil, em São José dos Campos. A fabricante é fornecedora da francesa Airbus e da Embraer.

A metalúrgica conta que os trabalhadores decidiram pela greve após chegarem ao “limite” com o descaso da empresa. “Estou aqui há cinco anos, ouvindo promessas que nunca foram cumpridas. É um absurdo uma multinacional como a Alestis não pagar PLR”.

Segundo o metalúrgico Ricardo (outro nome fictício), a empresa promete pagar participação nos lucros desde que se instalou na cidade, em 2007. “A chefia sempre nos enrolou, dizendo que a empresa não dava lucro. Mesmo assim, as cobranças por produção não param, o ritmo é intenso. Por isso, resolvemos dar um basta e exigir nossa parte”, revelou.

Baixos salários
Entre os metalúrgicos da fábrica, também predomina a reclamação dos baixos salários e da falta de PCS (Plano de Cargos e Salários).

“Não produzimos brinquedinho, produzimos peças para aviões e temos muita responsabilidade nesse processo”, reclama Ana. Apesar de cinco anos de casa, o salário da trabalhadora é de R$ 1.168. O setor aeronáutico pratica um dos menores pisos salariais da categoria, de apenas R$ 1.006.

Essa realidade ficou evidente no último mês, quando os funcionários da Latecoere, outra fábrica do setor, realizaram uma greve de 19 dias.

Risco à saúde
A greve na Aletis também escancarou a situação de insegurança a que os metalúrgicos estão expostos. Com o exaustor quebrado há dois anos, boa parte dos trabalhadores da produção inala um composto de fibra de carbono, que é altamente cancerígeno.

A manipulação desse material foi proibida em alguns países Europa e, segundo os trabalhadores, esse é o motivo da produção ter sido transferida para o Brasil. Apesar de ser tão tóxico quanto o amianto, em nosso país não existe nenhuma lei que regulamente o manuseio da fibra de carbono.

Outra denúncia é sobre a falta de inspeção adequada ao equipamento conhecido como autoclave, utilizado para esterilizar peças de fibra de carbono por meio do calor e da alta pressão. O equipamento funciona como uma panela de pressão e, sem a inspeção adequada, pode causar graves acidentes, colocando a vida dos trabalhadores em risco.

Em 2002, por exemplo, um grave acidente ocorreu com este equipamento na Exotec, empresa localizada nas Chácaras Reunidas. Na ocasião, quatro metalúrgicos morreram e seis ficaram gravemente feridos após a explosão de uma autoclave.

“A mobilização na Alestis é muito maior do que uma simples luta por PLR. É uma luta por melhores salários, mais saúde e segurança e contra o processo de desnacionalização da produção do setor aeronáutico. Certamente, esses companheiros demonstram muita força e coragem”, avaliou o diretor do Sindicato Edmir Marcolino da Silva.

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