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Luta operária 11/04/2013 | 14:42

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Greve histórica dos metalúrgicos da GM completa 28 anos

Paralisação começou no dia 11 de abril de 1985, por reajuste salarial e redução da jornada

Há exatos 28 anos, os metalúrgicos da General Motors deram início à mobilização que entrou para a história da luta operária no país. Em 11 de abril de 1985, foi deflagrada a greve que, por 28 dias, defendeu reajuste salarial e redução da jornada.

A categoria metalúrgica estava em meio à Campanha Salarial, com outras greves pipocando pela região e pelo país. Mas foi na GM de São José dos Campos que os trabalhadores mostraram mais força e poder de organização.

No início, a greve era realizada pelo sistema de revezamento, acompanhando o horário dos turnos. O cenário mudou quando, no dia 25 de abril, a GM anunciou a demissão de 93 trabalhadores por justa causa, todos eles membros de Comissão de Fábrica, cipeiros, diretores do Sindicato e ativistas.

As demissões levaram ao endurecimento por parte dos trabalhadores, que decidiram ocupar a fábrica e passaram a controlar todos os setores da GM, incluindo portaria, segurança e sistema de comunicação.

Durante todo o período, a fábrica ficou cercada por centenas de policiais, que ameaçavam invadir o local. Mesmo assim, os trabalhadores mantiveram-se firmes, inclusive com apoio dos familiares, que levavam alimentos e agasalhos para quem estava na fábrica.

O ex-presidente do Sindicato, Antonio Donizete Ferreira, relatou como os trabalhadores se organizaram para enfrentar os policiais.

“Para se defender, começa-se a pegar barras de direção, colocar empilhadeiras e caminhões em frente aos portões, a cuidar dos postos de gasolina, enfim, preparar a resistência”, conta Toninho. Ao mesmo tempo, os metalúrgicos buscavam uma saída negociada. A GM, entretanto, não queria acordo.

A ocupação terminou no dia 27 de abril, após horas de negociação, mas a greve ainda estendeu-se por uma semana. Já de volta ao trabalho, os funcionários da GM tiveram de enfrentar um forte processo de repressão e perseguição. Cerca de 400 trabalhadores foram demitidos e 33 processados criminalmente.

Todos tiveram seus nomes incluídos em uma lista  enviada pela GM ao Serviço Nacional de Informações (SNI) e para todas as empresas da região. Tornou-se impossível a qualquer um desses trabalhadores conseguir um novo emprego. A reparação veio em 2008, quando o Ministério da Justiça concedeu anistia política a eles pela perseguição sofrida após a greve.

Redução da jornada

Três anos depois da greve, a Constituição brasileira instituiu a redução da jornada de trabalho em todo o país, passando de 48 para 44 horas semanais.

“Aquela foi, sem dúvida, uma das mais importantes mobilizações da história da luta operária em nosso país. Os companheiros tiveram muita coragem ao enfrentar a polícia, a empresa, o governo e a opinião pública. Ainda hoje, são exemplos para as novas gerações de trabalhadores que continuam lutando por seus direitos”, afirma o presidente do Sindicato e funcionário da GM, Antonio Ferreira de Barros.

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