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Justiça 12/12/2012 | 08:50

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Mancha é anistiado por atuação na Oposição Metalúrgica de SP, durante a ditadura

Estado brasileiro reconhece perseguição à ativistas da antiga Convergência Socialista, que teve papel ativo contra regime militar

No último sábado, dia 8, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça julgou e concedeu o status de anistiado político e reparação econômica a oito membros da antiga Oposição Metalúrgica de São Paulo. Entre eles, está o diretor do Sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

A sessão da Caravana da Anistia ocorreu no Memorial da Resistência de São Paulo, na antiga sede do DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social). O local foi um dos principais pontos de prisão e tortura de militantes políticos, durante a ditadura. Cerca de 200 pessoas lotaram o plenário para acompanhar o pedido oficial de desculpas, em nome do Estado brasileiro.

Trajetória
Em sua fala, a relatora do processo de anistia de Mancha citou toda a trajetória política e o histórico de perseguição sofrida pelo companheiro.

Com apenas 15 anos, Mancha tomou contato com as ideias socialistas no colégio. Atuou como membro do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Universidade Federal de São Carlos e, posteriormente, na União Municipal dos Estudantes de São Carlos. Na mesma época, os órgãos de repressão da ditadura militar, iniciaram o monitoramento de suas atividades políticas.

Nessa época, Mancha atuava na organização de esquerda Liga Operária, que viria a se tornar a Convergência Socialista e originou o atual Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

“Quando tive acesso aos meus documentos do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), vi que eles sabiam mais coisas de mim do que eu mesmo. Todas as minhas atividades políticas estavam relatadas com detalhes”, contou Mancha.

O diretor foi preso em 1977, por duas vezes, uma delas durante a invasão da PUC, com mais de 900 estudantes. Mancha permaneceu preso com mais 100 jovens, considerados de “alta periculosidade” e foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

Entre 1978 e 1979 teve de refugiar-se em fazendas na região de Campinas, Jaguariúna e Guariba. Em 1981, foi para o Rio de Janeiro, onde participou de mais atividades do movimento estudantil, sendo novamente preso.

Em maio de 82, retornou a São Paulo e começou a trabalhar na empresa Monark. Começava sua atuação dentro das fábricas

Ajudou a criar e consolidar o MOSP, Movimento de Oposição Metalúrgica de São Paulo. Participou da greve de 1982, na Monark, que paralisou os 3,8 mil empregados por 10 dias. Fez parte da comissão de fábrica e foi demitido por justa causa, em outubro de 1982, em claro sinal de repressão da empresa e do regime.

“Nos documentos do DOPS havia, inclusive, minha ficha funcional da Monark. Essa é mais uma prova da colaboração que existia entre as empresas e os órgãos de repressão”, diz Mancha.

Em 1983, começou a trabalhar na Siemens. Fez parte da CIPA e foi novamente demitido por justa causa após uma greve. Em seguida, mudou-se para São José dos Campos e ingressou na GM, onde ainda foi monitorado por muito tempo.

“Não me arrependo de nenhum passo que dei. E vou continuar lutando, pois a ditadura dentro das fábricas não acabou. Na periferia das cidades, a ditadura continua, e a luta também continua, inclusive pra fazer com que haja punição aos torturadores. Eu não só não me arrependo de nada, como continuarei lutando até morrer”, discursou Mancha em tom emocionado durante a solenidade.

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