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Organizações dos trabalhadores 23/11/2012 | 15:56

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Manifesto da Reunião Internacional sobre a GM

Documento foi resultado da Reunião Internacional ocorrida em São José dos Campos, no dia 21 de novembro

Nós, organizações de trabalhadores da GM do Brasil, Alemanha, Espanha, Argentina e Colômbia, estivemos em São José dos Campos, Brasil, entre os dias 20 e 21 de novembro de 2012, para participar de atividades de protesto na planta da GM e na reunião em solidariedade aos trabalhadores ameaçados de demissão e de fechamento da planta denominada MVA (Montagem de Veículos Automotores), localizada na cidade de São José dos Campos.

Nesta oportunidade, recebemos mensagens de solidariedade de outras dezenas de organizações de trabalhadores da GM de todo mundo.

Temos percebido que a GM tem realizado um amplo processo de reestruturação mundial. Querem que paguemos por uma crise que não fomos nós que criamos. Estes ataques resultam em maior precariedade das condições de trabalho, na redução e retirada de direitos, no rebaixamento salarial, no fechamento parcial ou integral de unidades produtivas e em milhares de demissões pelo mundo.

As mobilizações ocorridas no Dia Internacional de greves e ações na Europa, em 14 de novembro, demostrou a força dos trabalhadores. Hoje é possível que os trabalhadores industriais internacionais se tornem uma força capaz de derrotar até mesmo grandes monopólios internacionais como a GM. Portanto, devemos nos unir, passo a passo, por meio da coordenação e unidade das lutas ao redor mundo.

Infelizmente, a GM continua aprofundando esse processo de reestruturação, como forma de ampliar seus lucros. Para isso, a empresa está realizando ataques cada vez mais duros contra os trabalhadores.

Na Espanha, as condições de trabalho e de saúde ocupacional estão piorando, com o aumento no ritmo de trabalho e a falta de reconhecimento por parte da empresa dos acidentes.

Na Argentina, se repete essa precarização das condições de trabalho, agravada por fortes ataques contra as organizações de base dos trabalhadores.

Na Colômbia, os trabalhadores são duramente explorados, resultando em centenas de lesionados que a empresa demite sem assumir qualquer compromisso social ou garantia de emprego. Também não se respeita o direito de liberdade de associação sindical e as negociações coletivas.

Em Bochum, na Alemanha, a GM quer fechar uma importante unidade, ceifando o trabalho de milhares de trabalhadores que dedicaram sua vida trabalhando pelo sustento de suas famílias.

No Brasil, a empresa quer demitir cerca de 1.800 trabalhadores, com o claro objetivo de cortar salários mais altos, mesmo depois de aumentar suas vendas e receber significativos incentivos fiscais por parte do governo brasileiro.

Essa situação se repete em várias outras plantas da GM espalhadas pelo mundo. Semelhante ao que fazem outras montadoras, a GM busca dividir trabalhadores de um determinado país e, da mesma forma, trabalhadores de países diferentes, ameaçando fechar plantas caso não aceitem as condições da empresa. A chantagem tem sido uma importante arma das montadoras para tentar colocar os trabalhadores de uma planta ou de um país contra trabalhadores de outras plantas ou países.

Diante dessa tentativa de dividir nossa classe, conclamamos os trabalhadores e sindicatos de todas as plantas da GM do mundo para nos unirmos e nos solidarizarmos uns com os outros para defendermos nossos interesses de classe.

Exigimos que os representantes dos trabalhadores e/ou Conselhos de Empresa não decidam sem consultar os trabalhadores e não cedam à chantagem e divisão que as multinacionais tentam nos impor. Essa é a única maneira de resistirmos ao processo de reestruturação mundial que a empresa está realizando neste momento.

Neste sentido, frente ao fechamento das plantas em todo mundo, defendemos:

1) Não ao fechamento de plantas da GM, OPEL PSA;

2) Não às demissões;

3) Estabilidade no emprego, medida que deveria ser apoiada por todos os governos, especialmente aqueles que beneficiaram as montadoras com verbas públicas.


Diante do aumento no ritmo do trabalho e da precarização das condições de trabalho, terceirizações e desigualdade salarial defendemos:

4) Por melhores condições de trabalho; salários e direitos.

O ritmo alucinado de trabalho da empresa, que quer produzir mais com menos trabalhadores, faz com que cresça a cada momento o número de operários com doenças profissionais adquiridas no trabalho, situação que a empresa procura negar. Depois, em muitos casos, a empresa demite estes trabalhadores, apesar da proibição por lei em vários paises. Frente a esta situação, defendemos que o trabalho deve ser um meio de vida, não um causador de mortes e doenças.

Queremos melhores condições de saúde e segurança na empresas da GM e o fim das perseguições aos lesionados e ou vítimas de acidentes no trabalho, bem como a readmissão daqueles que foram demitidos.

Os trabalhadores da GM tem o direito de se organizar para defender os seus direitos, mas muitas vezes quando o fazem, tem seus sindicatos perseguidos e, principalmente, sua organização no local de trabalho ameaçada constantemente. Defendemos o amplo direito de organização sindical e o respeito às convenções coletivas.

Assumimos o compromisso de fazer amplamente esta discussão nos locais de trabalho e organizar esta campanha. Fazemos um chamado às organizações com representação na GM a estar juntas conosco nesta luta.

Na segunda quinzena de janeiro, quando a planta de São José dos Campos passará por momentos decisivos e de mobilização, devemos todos divulgar e apoiar esta luta como for possível.

O único meio de enfrentar os ataques da GM é por meio da união de todos os trabalhadores. O dia 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, é um momento importante, no qual poderíamos levantar juntas nossas bandeiras e coordenar ações com trabalhadores da GM. E, assim, nos unificarmos em um grande dia de luta contra os desmandos da empresa e em defesa dos empregos, salários, direitos e condições de saúde dos funcionários da GM, levando em consideração as condições locais e nacionais.

É por meio de nossa unidade e solidariedade que conseguiremos fortalecer nossas lutas, nossas reivindicações e nossos direitos.

Queremos que essa incipiente iniciativa seja apenas um passo no sentido de multiplicarmos nossas forças com a participação de outras organizações sindicais e representações de base, congressos e movimentos.

É hora de lutar! Vamos lutar juntos(as)!

Contra os ataques globais da GM, globalizar a unidade e as lutas dos(as) trabalhadores(as)!

São José dos Campos, Brasil, 21 de novembro de 2012.

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