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Reunião sobre a GM 23/11/2012 | 15:04

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Sindicalistas defendem luta internacional por direitos

Relatos de ataques sofridos em cada país reforçam necessidade de solidariedade

Trabalhadores europeus e latinos do setor automobilístico estão encarando duras investidas de empresas e governos contra seus direitos. Repressão, redução de direitos, demissões e precarização das condições de trabalho são alguns dos ataques sofridos, em escala crescente, por trabalhadores na Alemanha, Espanha, Colômbia e Brasil.

Os relatos foram feitos durante a Reunião Internacional de organizações dos trabalhadores da General Motors que aconteceu nesta quarta-feira, dia 22, no Hotel Dan Inn, em São José dos Campos, com representantes dos cinco países.

Promovido pelo Sindicato e pela CSP-Conlutas, o encontro buscou ampliar os laços de solidariedade entre organizações de diferentes países e, mais especificamente, debater táticas para que os trabalhadores se contraponham aos ataques aos direitos promovidos pela GM globalmente.

Alemanha
O vice-presidente da Comissão de Fábrica da Opel-GM de Bochum, Alemanha, Stefen Reichelt, defendeu a união de forças para lutar por direitos. Ele mencionou que muitas vezes os patrões tentam dividir a classe trabalhadora, jogando trabalhadores de um país contra outro.

“Não se pode cair nesta conversa. Mais do que nunca, a solidariedade entre os trabalhadores internacionalmente é fundamental”, discursou.

A direção da GM anunciou o plano de fechar, em 2016, a planta de Bochum, onde Reichelt trabalha. Segundo ele, no entanto, isso não pode esfriar a mobilização. “Os trabalhadores vão lutar para defender seus postos de trabalho. Mesmo com o cenário de crise, não vamos desistir”, afirmou.

O alemão ainda tratou de descrever a greve geral de 14 novembro (que se estendeu por 23 países da Europa) como uma resposta dos trabalhadores aos ataques sofridos por conta da crise.

“É uma crise que vai aumentar. Onde não chegou, infelizmente, vai chegar. A jornada de trabalho foi diminuída não só na Alemanha, mas em outros países. Isso significa obviamente redução nos salários”, relatou.

Espanha
O dirigente espanhol da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Luis Aparício, também citou a greve geral como uma importante mobilização popular contra as consequências da crise impostas pelos governos.

“A greve geral do dia 14 foi um êxito. As grandes empresas, como GM e Renault, pararam 100% naquele dia. Outras empresas de menor porte, também tiveram sua produção paralisada pela maioria dos trabalhadores”, disse.

Para o dirigente, a mobilização é uma necessidade, diante de tantos ataques que os trabalhadores estão enfrentando. “A crise é tanta que casais estão sendo obrigados a sair de suas casas e voltar a morar na casa de seus pais. Tudo o que conquistamos estamos perdendo pela ação do governo. Bolsas aos estudantes estão sendo eliminadas, assistência social está sendo cortada e a saúde está se transformando em comércio, algo privado”, afirmou.

Luis ainda falou da forte repressão que as mobilizações dos trabalhadores tem enfrentado. “A repressão do Estado é muito grande. Qualquer convocatória pela internet pode ser considerada terrorismo”.

O espanhol ainda falou dos problemas enfrentados pelos trabalhadores da unidade da GM de Zaragoza, onde ele atua.

“Na planta de Zaragoza há muitos casos de doenças, mas quase nada é reconhecido. Se o trabalhador acumula um número de faltas por problemas de saúde, ele é demitido. As empresas não cumprem as regras para preservar a saúde dos trabalhadores”.

Colômbia
As condições de trabalho na GM da Colômbia, unidade com cerca de 1.800 mil operários, estão entre as mais desfavoráveis aos operários. A estimativa dos dirigentes sindicais é que a montadora já tenha lesionado cerca de 1.200 trabalhadores. A grande maioria foi demitida, mas aproximadamente 400 metalúrgicos ainda estão na fábrica.

A delegação colombiana presente à Reunião Internacional contou com três membros: Felix Herrera, do Sintraime, Juan Manuel, do SintraGMcol, e Manuel Contreras, da Asotrecol, associação que reúne trabalhadores lesionados e que fez uma greve de fome com alguns de seus membros em frente à embaixada norte-americana em Bogotá.

O metalúrgico do SintraGMcol propôs a realização de um dia internacional de luta dos trabalhadores da GM.

“Precisamos definir um dia em que possamos, no mundo inteiro, reivindicar melhores condições de trabalho e lutar contra a exploração da companhia”, disse Juan.

A situação na GM em São José
Como não poderia deixar de ser, a situação da GM no Brasil e, mais especificamente, em São José dos Campos foi bastante abordada.
A delegação internacional tomou conhecimento das investidas da montadora e seu plano de fechar o setor responsável pela produção de veículos em São José dos Campos, o MVA.

O Sindicato de São José exibiu um vídeo com as lutas realizadas pelos trabalhadores da GM nos últimos anos.Trabalhadores da GM afastados pelo lay-off também participaram do encontro.

Durante as discussões, os sindicalistas sinalizaram para a realização de um “Janeiro Vermelho”, para combater a ameaça de demissão de cerca de 2 mil metalúrgicos no início do próximo ano.

“A Reunião Internacional foi muito importante, porque foi mais um passo que demos contra o isolamento que a GM quer nos impor. Com a solidariedade dos companheiros de outros países, que enfrentam desafios muito semelhantes, conseguimos aumentar nossa força”, disse o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

Uma frase de um companheiro durante a reunião sintetiza a importância da união de trabalhadores de diferentes países contra os ataques dos patrões.

“Somos trabalhadores e isso é o que importa. Se derrotarem os companheiros daqui, depois vão tentar derrotar os trabalhadores de outros países. A solidariedade é fundamental. Precisamos fazer uma luta global”.

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