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Empregos na GM 23/10/2012 | 14:29

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Artigo: Em defesa de São José

Leia artigo do presidente do Sindicato, publicado no jornal O Vale, de 21 de outubro

Desde o início do ano, a GM está programando a demissão de 1.840 trabalhadores. Nesse período, o Sindicato dos Metalúrgicos já se reuniu diversas vezes com a montadora numa tentativa de encontrar alternativas que resultem na manutenção dos postos de trabalho na fábrica local.

Infelizmente, temos visto algumas manifestações de descaso com as demissões por parte de alguns empresários da cidade. É inacreditável, mas muitos afirmam que os cortes não terão impacto econômico para a cidade, que este número não é relevante.

Ora, demissões não podem ser tratadas como mero fator de mercado. São pessoas que acordam todos os dias para dar duro na linha de produção e garantir o sustento da família. A demissão de 1.840 trabalhadores representará uma tragédia social e uma perda irreparável para nossa cidade. Estudos do Dieese já amplamente divulgados mostram que cada funcionário demitido na fábrica resultará em outras sete demissões na região. Esta é uma equação que não pode ser ignorada.

Mas para a GM e empresários de São José, nada disso importa. Na ponta do lápis, o que conta são os lucros em ascendência.Os trabalhadores agora são descritos como “mão de obra excedente”.

O Sindicato já apresentou uma série de propostas que garantiriam os empregos e dariam continuidade à produção no setor que está sob ameaça de fechamento. São propostas viáveis, de fácil implementação.

Já a GM se mantém radical no propósito de demitir. O discurso da empresa é o mesmo: para continuar a ser competitiva, é preciso enxugar a mão de obra. Mas os dados econômicos mostram que ela não está passando por nenhuma dificuldade financeira que justifique essas demissões.

Assim como todo o setor automotivo, a GM só tem a comemorar. Nos últimos meses, estimuladas por benefícios fiscais, as montadoras bateram recordes de vendas. Entre junho e setembro deste ano, o crescimento nas vendas da GM foi de 18,45%. Mesmo assim, os planos de demissões continuam tão sólidos quanto os lucros da empresa.

A GM é uma das maiores importadoras do país. Só em 2011, foram 90 mil veículos trazidos de fora. Se fossem produzidos aqui, garantiriam 3 mil postos de trabalho. Mas a situação pode ficar ainda pior. A montadora planeja levar para a Argentina a produção do Classic, que hoje está em São José. Se esse projeto for concluído, o Classic será mais um dos muitos veículos da GM a chegar em contêineres no Brasil. Cada carro que deixa de ser produzido em nosso país significa menos postos de trabalho, menos arrecadação de impostos, menos superávit na balança comercial.

O Sindicato dos Metalúrgicos não abre mão de defender os empregos e direitos desses trabalhadores. Assim que soubemos do plano de demissão em massa pela GM, demos início a uma ampla campanha em defesa do emprego. Fomos a Brasília, realizamos manifestações, passeata na Via Dutra, enfim, fizemos todo o esforço para denunciar a bomba que estava para explodir.

Nesta luta pelos empregos, nada é mais radical e desumano do que mandar pra rua centenas de pais de família para aumentar os altos lucros da empresa e ainda considerar que isso é “normal”. Por outro lado, não existe gesto mais humano e solidário do que apoiar a luta pela manutenção dos postos de trabalho.

O Sindicato continua disposto a negociar. Mas essa é uma luta que deve ser assumida pelo conjunto dos trabalhadores e pela população. Precisamos cobrar dos governos municipal, estadual e federal que intercedam em favor da manutenção dos postos de trabalho. Neste delicado momento, o apoio dos trabalhadores e da população é fundamental para garantir os empregos.

Antonio Ferreira de Barros, o Macapá
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região

 

Artigo publicado no jornal O Vale, do dia 21/10/2012

 

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