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Jornal o Metalúrgico em Família

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Edição 67 | Dezembro de 2012

Luta contra a ditadura

Trabalhadores da Embraer conquistam anistia histórica, após três décadas

Estado brasileiro reconhece perseguição a metalúrgicos que participaram de greves

As greves da década de 80 foram um importante capítulo da história do país. Naquele momento, trabalhadores e juventude lutavam contra a ditadura militar e pela conquista de direitos.

Os metalúrgicos de São José dos Campos e região são parte desta história. Durante as greves de 83, 84 e 88, trabalhadores da Embraer foram demitidos por reivindicar melhores condições de trabalho e redução da jornada. Como represália, foram presos, fichados e interrogados sob acusação de terrorismo.

Quase três décadas se passaram e, só em 2012, no dia 24 de agosto, 125 ex-trabalhadores receberam, oficialmente, o pedido de perdão do Estado brasileiro.

A lista - Logo após as greves, a Embraer fez uma lista com os nomes dos trabalhadores que participaram do movimento. Isso impediu que eles voltassem a conseguir emprego nas fábricas da região.

Cristiane Maia de Faria, representante das viúvas dos anistiados, lembra das dificuldades. “Com a demissão, a saúde de meu marido começou a se deteriorar. Em função da lista, ele não conseguia emprego, perdemos nossa casa. Dependíamos da ajuda do Sindicato até para comer”.

Fila de espera - Apesar do pedido de perdão do Estado aos ex-trabalhadores da Embraer, ainda há muito a ser feito. Segundo Getúlio Guedes, representante dos anistiados, existem 150 processos de trabalhadores da região esperando julgamento e mais de 10 mil em todo país.

Em dezembro, dez ex-trabalhadores da GM, que participaram da greve de 85, e o diretor do Sindicato Luiz Carlos Prates, o Mancha, pela atuação na Oposição Metalúrgica de São Paulo, também foram anistiados.


Comissão da Verdade é limitada

A Comissão da Verdade, instituída pelo governo federal, este ano, tem a tarefa de investigar as violações aos Direitos Humanos cometidas entre 1946 e 1988.

Entretanto, apesar de ser uma conquista fruto da pressão das famílias e movimentos sociais, suas ações são bastante limitadas. A Comissão não terá poderes para julgar e punir aqueles que prenderam, torturaram e assassinaram centenas de opositores, como tem ocorrido em outros países como, por exemplo, na Argentina.

Além disso, os agentes do Estado poderão ficar em silêncio nos interrogatórios. Sendo assim, fica comprometido o principal objetivo da comissão, que é trazer à luz a verdadeira história do país, bem como punir os torturadores do regime.


“Fui brutalmente torturado”


João Casimirov é um dos trabalhadores anistiados da Embraer. Formado em engenharia aeronáutica, foi membro da Aliança Libertadora Nacional, que lutava contra a ditadura no Brasil. Foi demitido por participar da greve de 1984, que reivindicou equiparação salarial.

Como era trabalhar na Embraer durante a ditadura?
Na época, a empresa era dirigida pelos militares. Eles criaram um ambiente de trabalho semelhante ao dos quartéis, éramos tratados como soldados. Havia muita repressão e qualquer reivindicação era sufocada pelo regime.

O que aconteceu após a demissão?
Fiquei preso durante 15 dias, fui brutalmente torturado, perdi vários dentes. Após ser solto, a perseguição continuou. Soldados faziam vigília na porta da minha casa, intimidando a família e os amigos. Eu não tinha dificuldades de arrumar trabalho, mas logo era demitido. Passei por mais de 40 empresas, porque meu nome estava na lista.

O que a anistia representa para você?
A anistia não repara os danos físicos e psicológicos que sofri. Mas se pudesse, eu faria tudo de novo. Quem derrubou a ditadura fomos nós, os trabalhadores, pessoas simples. Quem derruba os grandes, os opressores, somos nós, os pequenos.

Expediente

Órgão informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Santa Branca e Igaratá. Rua Maurício Diamante, 65 - CEP: 12209-570 - Tel.: (12) 3946.5333 - Fax: (12) 3922.4775, São José dos Campos (SP). Site: www.sindmetalsjc.org.br. E-mail: comunicacao@sindmetalsjc.org.br - Presidente do Sindicato: Antônio Ferreira de Barros (Macapá) - Diretoria Executiva: Herbert Claros da Silva, Adilson dos Santos, Edson Alves da Cruz, Luiz Carlos Prates (Mancha), José Dantas Sobrinho, Rosângela Calzavara, José Donizetti de Almeida, Lauro Claudino Nunes, Valmir Diniz Ferreira - Diretoria Efetiva: Ademir Tavares de Paixão, Adilson Carlos do Prado, André Parra de Oliveira, Camilo Lélis Lopes, Célio Dias da Silva, Eduardo de O. Silva Carneiro, Edmir Marcolino da Silva, Eliane dos Santos, Elias Osses, Edilson dos Santos, Geraldo de Jesus Santos, Geovane José de Freitas, Ivan Cardoso de Souza, Jesu Donizeti de Souza, José Carlos Fagundes, Nei dos Reis, Nilson Ferreira Leite, Paulo Roberto Serafim, Renato Junio de Almeida, Rinaldo Fernando Silveira, Roberto Rosa de Oliveira, Rogério Williams de Oliveira, Sebastião Francisco Ribeiro, Valmir Mariano da Silva, Vinícius Faria, Wagner Moraes de Oliveira - Conselho Fiscal: José Francisco Sales, João Batista Arruda, Marcelo Eduardo da Costa, André Luiz Gonçalves, Emerson de Lima, José Donizetti de Almeida - Responsabilidade da publicação: Diretoria do Sindicato - Edição: Ana Cristina da Silva. Redação: Douglas Dias, Shirley Rodrigues e Manuela Moraes - Editoração Eletrônica e Ilustração: Bruno César Galvão Impressão: Jornal Diário da Região - CNPJ 07.351.093/0001-48

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