Luta por um teto
Área serve de moradia e sustento para quase duas mil famílias. É a maior ocupação urbana do país
A Ocupação do Pinheirinho já criou raízes em São José dos Campos. Apesar de não ser regularizada, a área ganhou vida própria, com casas de alvenaria, comércio, plantações, igrejas, praça e até uma associação de moradores.
Toda essa estrutura, entretanto, foi construída sem qualquer ajuda do poder público. Ao contrário, os moradores tiveram de suar muito para conquistar o que hoje é uma das maiores e mais organizadas ocupações urbanas do país.
Quando chegaram, há quase oito anos, só havia mato e terra seca. Estava abandonado há 30 anos. Era alvo de grileiros e especulação imobiliária. Hoje, a área serve de moradia para cerca de 9 mil pessoas.
Uma ordem de desocupação foi determinada pela Justiça e até o fechamento desta edição ainda não se sabia se a policia invadiria a área.
Para todos, a pergunta é uma só: “por que uma desocupação violenta e desumana se seria muito mais fácil concluir o processo de regularização iniciados?”
A dona Maria de Jesus, de 76 anos, é uma dessas pessoas que questiona a falta de sensibilidade do poder público. Ela foi “nomeada” zeladora da Capela Madre Tereza de Calcutá, construída pela própria comunidade.
O corpo franzino e a idade avançada não impedem dona Maria de cuidar pessoalmente da igreja. Mas ela sabe que todo o trabalho pode ser destruído se a desocupação se concretizar. Ela tem esperança esta seja apenas mais uma ameaça entre tantas outras que já presenciou.
Diversão - O garotinho Luis Rogério tem oito anos e nem pensa em sair do Pinheirinho. Perguntamos por que ele gosta dali: “porque aqui tem parquinho, tem lugar pra correr e um monte de amigos”.
Esta entrevista ele concedeu enquanto se empuleirava nos brinquedos da Praça do Quilombo dos Palmares, nome do mais resistente de todos os quilombos.
A consolidação do Pinheirinho mostra que uma desocupação se transformaria numa tragédia e a regularização é o único caminho.
Famílias tiram sustento da terra e do comércio
Morar no Pinheirinho, para muitas das famílias que hoje estão lá, é mais do que ter apenas um teto. É uma questão de sobrevivência.
São famílias que tiram seu sustento do bairro, seja vendendo produtos, através de pequenos pontos comerciais, seja mantendo hortas e criando animais para consumo próprio.
Exemplos não faltam. Benedita de Fátima Pereira, 55 anos, é um deles.
Desde que chegou ao Pinheirinho, há quase oito anos, ela se dedica a cuidar da terra.
O pedaço de chão que conquistou durante a ocupação, ela transformou em uma área produtiva. Lá ela cria frango, porcos, ganso e patos. Também planta feijão, milho, caju, maçã, cana, banana, mandioca, abacaxi, laranja, limão e maracujá.
“Desde que cheguei aqui, não precisei mais comprar carne. Eu amo essa terra”, afirma. Mas se for obrigada a deixar o sítio, ela não tem dúvidas: “não saio nem amarrada”.

Órgão informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Santa Branca e Igaratá. Rua Maurício Diamante, 65 - CEP: 12209-570 - Tel.: (12) 3946.5333 - Fax: (12) 3922.4775, São José dos Campos (SP). Site: www.sindmetalsjc.org.br. E-mail: comunicacao@sindmetalsjc.org.br - Presidente do Sindicato: Vivaldo Moreira Araújo - Diretoria Executiva: Herbert Claros da Silva, Adilson dos Santos, Luiz Carlos Prates, José Gonçalves Mendonça, José Donizetti de Almeida - Diretoria Efetiva: Adilson Carlos do Prado, Ananias Francisco Santos, André Luis Gonçalves, Antonio Ferreira de Barros, Camilo Lélis Lopes, Célio Eduardo Silveira, Clóvis Fernandes de Sousa, Edson Alves Cruz, Eduardo de O. S. Carneiro, Eliane dos Santos, Geraldo de Jesus Santos, Ivan Cardoso de Souza, Jésu Donizetti de Souza, João Batista Arruda, José Francisco Sales, Keila Mendes Costa, Luciano de Oliveira Valle, Luciano Macedo César, Renato Bento Luiz, Rilma Maria da Silva, Rinaldo Fernando Silveira, Rogério Willians de Oliveira, Sebastião Francisco Ribeiro, Silvio Peninck de Oliveira, Valdir Martins de Souza, Valmir Diniz Ferreira, Vinícius Faria - Conselho Fiscal: Edmir Marcolino da Silva, José Dantas Sobrinho, Lauro Claudino Nunes, Ademir Tavares da Paixão, José Carlos de Lima, Rosângela de Souza Calzavara - Responsabilidade da publicação: Diretoria do Sindicato - Edição: Ana Cristina da Silva. Redação: Douglas Dias, Eliane Mendonça, Rodrigo Correia, Shirley Rodrigues - Editoração Eletrônica e Ilustração: Bruno César Galvão Impressão: Jornal Diário da Região - CNPJ 07.351.093/0001-48


