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Edição 63 | Julho de 2011

Aumento dos preços

Inflação volta e governo quer impor arrocho aos trabalhadores

A alta dos preços está penalizando os trabalhadores. O pior é que patrões e o governo têm a cara de pau de culpar os salários e já falam em arrocho

O fantasma da inflação voltou a rondar o país nos últimos meses e os trabalhadores, mais uma vez, é que têm enfrentado dificuldades para fazer com que o salário chegue até o fim do mês.

São os itens básicos do dia a dia da população brasileira que apresentam aumentos consecutivos e fazem com que o salário do trabalhador se desvalorize.

Segundo dados divulgados em junho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já atingiu 6,51% nos últimos doze meses.

Somente entre os meses de janeiro e maio deste ano, o índice atingiu 3,71%. Este é o maior índice para o período nos últimos oito anos.

O governo da presidente Dilma Rousseff (PT) tenta convencer a população de que a inflação que o país enfrenta é causada por um aumento do consumo pela própria população.

A teoria do governo é de que o aumento do poder de compra dos trabalhadores e do acesso ao crédito seriam os verdadeiros culpados pela inflação. Dessa forma, defende que a solução seria a elevação na taxa de juros, cortes nos gastos sociais e restrições ao crédito. Isso tornaria as compras a prazo mais caras, o que reduziria o consumo e derrubaria a inflação.

No entanto, a explicação para o aumento dos preços no país é outra.

Segundo Daniel Romero, mestre em sociologia pela Unicamp, professor do Instituto Federal da Bahia e pesquisador do ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Sócio-Econômicos), a inflação tem dois motivos principais. Um deles é o aumento do preço de produtos primários (as commodities) negociados em bolsa de valores do mundo. O outro são os preços administrados pelo próprio governo, como as tarifas de água, luz, telefonia e transportes.

“Assim como a bolha imobiliária americana levou à crise econômica mundial, também as commodities (minérios, produtos agrícolas e petróleo) geram uma nova bolha. Tudo isto por conta da especulação para aumentar os lucros dos grandes empresários e banqueiros”, afirma Romero.

E os números confirmam esta tendência. No ano passado, houve uma alta de 37% no preço do café, 34% na carne bovina e 27% para o milho.

Os preços atingiram níveis tão altos que levaram a uma crise alimentar em vários países e ajudaram na explosão de protestos no Oriente Médio e Europa.

Governo é principal culpado
Mas é o governo o verdadeiro culpado pela volta da inflação, ao manter uma política econômica dependente e a serviço dos interesses de banqueiros e especuladores internacionais. “Enquanto a inflação de 2010 ficou em 4,5%, o governo autorizou reajustes nos serviços muito acima disso. A energia elétrica, por exemplo, vai subir 11,5%”, disse Romero.

O governo também permite a inflação quando mantém privatizadas empresas estratégicas, como a Petrobras ou a Vale, por exemplo. Afinal, se a Petrobras não estivesse nas mãos do capital privado, que só busca lucros, não pagaríamos um valor tão alto pela gasolina ou etanol, com as reservas que nosso país possui.

As contradições são muito grandes. Ao mesmo tempo em que Dilma lança o programa “Brasil Sem Miséria”, por meio do qual alega que pretende tirar da pobreza extrema 16 milhões de brasileiros, seu governo aumenta a taxa de juros, encarece o crédito e não defende o poder de compra dos trabalhadores.

“O Brasil já é o país com a maior taxa de juros do mundo e quanto mais o governo aumenta essa taxa, mais aumenta a dívida pública interna, que atualmente já está em torno de R$ 2,2 trilhões. Isso significa menos recursos para saúde, educação e habitação e mais dinheiro para os banqueiros”, diz Romero.


A inflação serve aos interesses dos patrões

É comum pensarmos que a inflação é um problema que não é causado por ninguém em particular. É como se fosse algo sem responsáveis, que surgisse de forma involuntária. Isso é um engano.

As causas para a inflação são variadas e dependem da conjuntura. Mas, antes de tudo, é uma forma de especulação com os preços feita pelos empresários. É uma ação consciente por parte dos patrões para lucrarem ainda mais e o governo está a serviço desses interesses.

Do PIB de 2006, por exemplo, os trabalhadores se apropriaram de 54% da renda nacional, enquanto os empresários abocanharam 46%, segundo o Anuário dos Trabalhadores do Dieese de 2009.

“É como se o PIB do Brasil fosse um prato de sopa a ser dividido entre trabalhadores e patrões. Mas, enquanto os patrões podem usar uma colher de sopa, entregam para os trabalhadores apenas uma mísera colher de café”, explica o professor Daniel Romero.

Os mais jovens podem não lembrar, mas durante as décadas de 80 e 90, a inflação foi o mais grave problema econômico enfrentado pelo país. O Brasil foi um dos países com a maior inflação em todo o mundo.

Em 1989, último ano do governo de José Sarney, a inflação anual atingiu quase 1.800%. Hoje, não corremos risco, a curto e médio prazo, de uma hiperinflação. No entanto, a inflação nos últimos 12 meses passou dos 6% e já corroeu o aumento real obtido no ano passado.

“Naquela época, os trabalhadores se protegeram com lutas e conquistaram o reajuste automático de salários, o famoso “gatilho salarial”, disparado a cada vez que a inflação atinge um limite. É um ótimo exemplo da força dos trabalhadores”, exemplificou o pesquisador do Ilaese, Daniel Romero.


É preciso mobilização para combater a inflação

O governo declarou que os aumentos salariais elevariam o risco de inflação e que os trabalhadores devem ser moderados em suas reivindicações este ano. Um grande cinismo por parte do governo.

“Enquanto os parlamentares aumentaram seus salários em mais de 62% e o da própria presidente subiu 132%, os trabalhadores, que mais sofrem com a inflação, devem ser moderados nas reivindicações? É uma piada”, critica o presidente do Sindicato, Vivaldo Moreira.

“Não são os aumentos salariais que criam a inflação. O objetivo das campanhas salariais é apenas reajustar o salário em cima de uma inflação já criada pelos patrões e pelo governo”.

Uma série de lutas e greves aconteceram no país, como a dos bombeiros do Rio de Janeiro, de professores em vários estados e a dos trabalhadores da Volks no Paraná. No 2º semestre, têm início campanhas salariais de categorias importantes como metalúrgicos, bancários e petroleiros. Com organização e mobilização podemos impedir o arrocho que o governo e patrões querem impor.

“O governo pede moderação, mas é justamente nessa hora que os trabalhadores devem pressionar para repor as perdas com a inflação, bem como os ganhos de produtividade e lucros obtidos pelas empresas, em forma de aumento real”, disse Vivaldo.

“Nossa luta será por aumento real dos salários, reajuste automático a cada vez que a inflação atingir 3%, redução e congelamento de tarifas e preços, entre outras reivindicações”, finalizou.


Você sabia?

No ano passado, 45% de tudo o que foi arrecadado pelo governo federal foi usado para pagar os juros da dívida pública, totalizando R$ 635 bilhões. Enquanto isso, a Educação só recebeu 2,9% do orçamento. A Segurança Pública, um dos maiores problemas do país, recebeu 0,56% e, pasmem, a Habitação recebeu menos de 0,01%. Este é o custo social do aumento da taxa de juros adotado pelo governo Dilma.

IPCA - inflação (IBGE)

Abril / 2011 0,77%
Março / 2011 0,79%
Abril / 2010 0,57%
Acumulado de 2011 3,23%
Acumulado 12 meses 6,51%


 

 

 

 

ICV - Dieese - (inflação últimos 12 meses)

 

Transporte 11,55%
Alimentação 9,55%
Despesas Pessoais 7,23%
Habitação 6,92%
Educação 5,86%

Expediente

Órgão informativo do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Santa Branca e Igaratá. Rua Maurício Diamante, 65 - CEP: 12209-570 - Tel.: (12) 3946.5333 - Fax: (12) 3922.4775, São José dos Campos (SP). Site: www.sindmetalsjc.org.br. E-mail: comunicacao@sindmetalsjc.org.br - Presidente do Sindicato: Vivaldo Moreira Araújo - Diretoria Executiva: Herbert Claros da Silva, Adilson dos Santos, Luiz Carlos Prates, José Gonçalves Mendonça, José Donizetti de Almeida - Diretoria Efetiva: Adilson Carlos do Prado, Ananias Francisco Santos, André Luis Gonçalves, Antonio Ferreira de Barros, Camilo Lélis Lopes, Célio Eduardo Silveira, Clóvis Fernandes de Sousa, Edson Alves Cruz, Eduardo de O. S. Carneiro, Eliane dos Santos, Geraldo de Jesus Santos, Ivan Cardoso de Souza, Jésu Donizetti de Souza, João Batista Arruda, José Francisco Sales, Keila Mendes Costa, Luciano de Oliveira Valle, Luciano Macedo César, Renato Bento Luiz, Rilma Maria da Silva, Rinaldo Fernando Silveira, Rogério Willians de Oliveira, Sebastião Francisco Ribeiro, Silvio Peninck de Oliveira, Valdir Martins de Souza, Valmir Diniz Ferreira, Vinícius Faria, Waldemar Vicente Magalhães- Conselho Fiscal: Edmir Marcolino da Silva, José Dantas Sobrinho, Lauro Claudino Nunes, Ademir Tavares da Paixão, José Carlos de Lima, Rosângela de Souza Calzavara - Responsabilidade da publicação: Diretoria do Sindicato - Edição: Ana Cristina da Silva. Redação: Douglas Dias, Eliane Mendonça, Rodrigo Correia, Shirley Rodrigues - Colaboração: Angélica de Paula - Editoração Eletrônica e Ilustração: Bruno César Galvão Impressão: Jornal Diário da Região - CNPJ 07.351.093/0001-48

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