História

Fundado em 1956, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região é uma referência de luta dos trabalhadores. Confira os principais momentos da história do Sindicato:

No começo do século passado, São José dos Campos era tida apenas como uma cidade de sanatórios, indicada para o tratamento da tuberculose por conta de seu clima. Com a criação do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em 1950, e a inauguração da Via Dutra, em 1951, a região começa a receber indústrias.

No dia 14 de março de 1956, 30 metalúrgicos da Ericsson criam a Associação Profissional dos Metalúrgicos de São José, Jacareí, Caçapava e Santa Branca. Para driblar a repressao da empresa, os sócios pagavam suas mensalidades nos banheiros da empresa.

No dia 25 de novembro de 1958, a associação transforma-se em Sindicato. A General Motors se instala em São José em 1959.

   
Uma das primeiras assembleias realizadas pelos metalúrgicos no Sindicato

A década de 60 é marcada pela "nova industrialização", com o surgimento de um grande número de empresas na região. Nesta época, a atuação do Sindicato na porta das fábricas praticamente não existia. O perfil da entidade era assistencialista, seguindo a estrutura sindical imposta desde o governo Getúlio Vargas.

Concursos de miss e cortes de cabelos gratuitos eram atividades que a entidade promovia, assim como os desfiles do dia 7 de Setembro, junto com os militares.

A instalação da Embraer em São José dos Campos acontece em 1969.

  
Desfile de 7 de Setembro era uma das atividades organizadas pelo Sindicato, que tinha perfil assistencialista

O início dos anos 70 continua sendo marcado pelo peleguismo, com os sindicatos longe dos anseios e das lutas dos trabalhadores. Isso ocorre até o surgimento do fenômeno chamado "novo sindicalismo", que explode no ABC paulista, no final da década, e se espalha por diversas partes do país. Com grandes greves e enfrentamentos aos patrões, o movimento devolveria, gradativamente, os sindicatos às mãos dos trabalhadores.

Em nossa região, também é organizada uma Oposição à diretoria de José Benedito Domingues, no comando do Sindicato desde a sua fundação. A construção desta Oposição é que possibilitará uma mudança de rumo do Sindicato na década seguinte.

Em 1979, num ato pela Anistia, na Praça Afonso Pena, no centro de São José dos Campos, o cartunista Henfil cria o "Dito Bronca", personagem adotado pela Oposição e que, posteriormente, viria a se tornar uma importante marca do Sindicato, no combate à exploração sofrida pelos trabalhadores.

 
Toninho Ferreira, que na época pertencia à Convergência Socialista, faz campanha em frente à GM

O movimento de oposição iniciado no final da década anterior se refletiu nas eleiçães de 1981. A partir dali, o Sindicato passaria a ser dirigido pela oposição, com Ari Russo. Em 1984, o presidente eleito é José Luiz Gonçalves.

O Sindicato atuou efetivamente pela fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que, num primeiro momento, representava uma ferramenta de luta da classe trabalhadora - hoje não mais.

A década de 80 é marcada por grandes greves e ocupações, duas históricas: a da Embraer, em 1984, e a da GM, em 1985. Outras importantes mobilizações aconteceram na Fiel, Philips, Bundy, Sade, Panasonic, Ericsson e muitas outras empresas. Nestas mobilizações, os trabalhadores conquistaram redução na jornada de trabalho e aumento salarial.

 
Policiais cercam a GM, durante greve de 1985 que se tornou histórica no movimento operário

Os anos 90 são marcados pelo desembarque no Brasil da política neoliberal, inaugurada por Fernando Collor de Melo. A vitória do bloco de esquerda da CUT trouxe o Sindicato para o caminho da combatividade. Outra conquista na organização e democracia foi a realização, em 1991, do 1º Congresso dos Metalúrgicos, que, ao longo do tempo, viraria uma tradição na categoria.

Em 1992, o Sindicato teve papel de destaque nas lutas que terminaram com a derrubada de Collor. Em 94, aconteceu a forte luta contra a privatização da Embraer, que, infelizmente, acabou sendo entregue ao capital internacional.

Na esfera política do Sindicato, uma disputa entre correntes da CUT foi resolvida com a antecipação das eleições, que deu a vitória a Antonio Donizete Ferreira, em 1997. A partir daí, a diretoria concentraria seu foco apenas nas lutas da categoria e contra o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), fortalecendo seu perfil classista e combativo.

  
  Trabalhadores de diversas categorias fazem manifestação contra a privatização da Embraer

Nas eleições sindicais de 2000, os metalúrgicos mantiveram sua escolha por um Sindicato combativo, com a vitória da chapa encabeçada por Luiz Carlos Prates, o Mancha, que voltou a vencer em 2003. 2003 também foi o ano da posse de Lula na Presidência. A tarefa do Sindicato não foi das mais fáceis ao combater os ataques vindos do governo de um ex-líder sindical que conseguiu manter a ilusão de boa parte da classe trabalhadora.

Em 2004, um divisor de águas na história do Sindicato: no dia 19 de agosto de 2004, os metalúrgicos decidem se desfiliar da CUT, central que não defende mais as reivindicações dos trabalhadores. A partir de então, o Sindicato começa a construir a CONLUTAS, uma nova ferramenta a serviço da luta da classe.

No Sindicato, em 2006, é eleita a chapa da CONLUTAS, presidida pelo companheiro Adilson dos Santos, o Índio.

Nas eleições sindicais de 2009, também pela chapa da CONLUTAS, é eleito presidente o metalúrgico da GM Vivaldo Moreira Araújo, que iria impulsionar as lutas da categoria contra os efeitos da crise econômica mundial e a insensibilidade dos patrões.

     
  Em assembleia, metalúrgicos decidem se desfiliar da CUT e começam a construção da Conlutas     

Em 2010, o Sindicato se mantém no caminho da luta, levando os trabalhadores a lutarem por melhores condições de salário, emprego e direitos. Em junho, um congresso, com mais de 3.500 delegados, unifica a CONLUTAS com outras entidades combativas do movimento sindical e popular. Surge então uma nova organização, fortalecida e disposta a representar as principais demandas da trabalhadora: a CSP-CONLUTAS.

Naquele ano, o Brasil era governado por Lula (2003-2010) e, depois, por Dilma Rousseff (2011-2016). A presidente tomou medidas que privilegiaram os mais ricos, como o aumento dos incentivos fiscais aos empresários. Ao mesmo tempo, seu governo promoveu seguidos cortes nos investimentos públicos, dificultou o acesso ao seguro-desemprego (em época de aumento do desemprego) e atacou as pensões. 

Dilma perdeu o cargo em 2016 em razão de um processo de impeachment, mas os ataques aos direitos continuaram com seu sucessor Michel Temer (MDB). Ex-vice de Dilma, Temer aprovou a lei do teto de gastos, responsável por congelar investimentos públicos por 20 anos, e a reforma trabalhista, que atacou duramente conquistas históricas dos trabalhadores.

Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) vence a eleição presidencial diante de um cenário de forte rejeição às gestões petistas. No ano seguinte, o ex-capitão do Exército toma posse, liderando um governo de ultradireita, ultraliberal e que faz apologia à ditadura militar e à tortura. A intensificação dos ataques aos direitos trabalhistas também é uma de suas principais marcas. O nosso Sindicato realiza uma forte oposição a esse governo e às suas medidas, como a reforma da Previdência. 

  
  Em 13 de agosto de 2019, metalúrgicos participam do Dia Nacional de Greves e Lutas, no centro de São José

Whatsapp

Digite seu número de celular e receba nossas novidades:

Desculpe, problemas ao enviar.

Obrigado pelo seu interesse.

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Santa Branca e Igaratá
Sede: Rua Coronel Moraes, 143, Jardim Matarazzo, São José dos Campos - SP
Telefone: (12) 3946-5333