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Pelegos criam "sindicato fantasma"

Os metalúrgicos enfrentam a tentativa de divisão da categoria
com a criação de um sindicato de fachada, o "Sindiaeroespacial",
que reivindica a representação dos metalúrgicos do setor aeroespacial.
A criação deste sindicato tem o objetivo de moldar uma entidade
submissa e parceira dos patrões e do governo para facilitar
a retirada de direitos dos trabalhadores.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região,
que completou 50 anos em 2006, é o legítimo representante
de toda a categoria.
A divisão conta com o apoio da Embraer, maior empresa do setor
e que é conhecida pela perseguição a dirigentes do Sindicato
dos Metalúrgicos e desrespeito à organização dos trabalhadores.
A empresa, uma das maiores exportadoras do país, no primeiro
trimestre de 2006 registrou uma queda em seu lucro, passando
de R$ 233,8 milhões no primeiro trimestre de 2005 para R$
86,9 milhões. Recentemente, também passou por uma mudança
na estrutura acionária. Para implementar uma política de ajuste
de custos, com redução de direitos, precarização e até demissões
em massa, a empresa precisará que os trabalhadores estejam
desprotegidos e sem condição de resistir. Para isso, nada
melhor que um sindicato parceiro e submisso como o tal "Sindiaeroespacial".
Quem são eles
O grupo que está à frente deste sindicato fantasma é o mesmo que, em 1996, quando estava na direção do Sindicato, reduziu o salário dos trabalhadores da Embraer em 10% e fez acordo com a empresa e impôs banco de horas. Eles já foram derrotados por três vezes nas eleições sindicais metalúrgicas.
A política divisionista também tem o apoio da direção majoritária da CUT e do governo. Afinal, a forma como este "novo sindicato" surgiu é totalmente suspeita. O registro sindical foi conseguido em apenas dois meses, quando muitos outros, que são fundados legitimamente, demoram até 10 anos para receber tal registro.
Justiça
O Sindicato dos Metalúrgicos havia conseguido através de ação judicial suspender o registro do novo sindicato. Contudo, no dia 11 de maio de 2006 foi publicado no Diário Oficial da União o restabelecimento do registro sindical do “Sindiaeroespacial”, cuja base é estadual. Essa prática, estranha à tradição sindical, democrática e combativa, também tem ocorrido em outras regiões do país.
Em Itajubá (MG) foi utilizado o mesmo método divisionista, separando a categoria em duas bases: Brasópolis e Itajubá. Foi preciso muita mobilização dos trabalhadores para manter a unidade da categoria. Em Santos, o Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, após a vitória da Oposição, via eleição democrática, encontra-se sob intervenção do Estado e com a diretoria destituída, através de medida judicial. Atualmente, situações semelhantes estão ocorrendo em Belo Horizonte e em Manaus.
Reforma Sindical antecipada
Para além dos interesses dos patrões, a essência deste ataque é a antecipação da Reforma Sindical. Um dos aspectos negativos desta reforma aos trabalhadores é que ela permite a fragmentação e divisão de categorias com a criação de entidades patronais como esse "sindicato" aeroespacial, sem nenhuma representatividade, ancorado na chamada "representação derivada" de uma central.
Hoje são os metalúrgicos do setor aeroespacial de São José. Amanhã serão os metalúrgicos do setor automotivo, de autopeças, enfim, um ataque contra todas as categorias de trabalhadores e sindicatos combativos do país.
Este é o objetivo: sufocar e controlar os sindicatos de luta e garantir a intervenção do Estado na organização dos trabalhadores. Tudo para abrir caminho para a reforma Trabalhista, que vai atacar direitos históricos, como o 13º, férias, licença-maternidade, multa do FGTS e outros.
Campanha
Uma forte campanha contra este ataque está sendo feita na base, onde os metalúrgicos estão votando em todas as assembléias nas fábricas o repúdio a este sindicato patronal. O clima entre os trabalhadores é de indignação. As conseqüências para os trabalhadores de São José dos Campos são graves e necessitam de respostas urgentes. Esta situação irregular pode resultar em ataques ao conjunto da categoria, com perda e redução de direitos e demissão de dirigentes sindicais, cipeiros e ativistas. Já foram suspensos cinco dirigentes sindicais.
É preciso que a luta contra este ataque divisionista seja assumida por todos os trabalhadores e sindicatos de luta do país. Conclamamos todas as entidades dos trabalhadores a discutirem em suas bases esta situação e repudiar esse ato vergonhoso.
É uma luta para defender o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cuja representatividade e combatividade é reconhecida em todo o país, mas acima de tudo, para defender o direito à organização sindical independente, classista e combativa.
Pela Defesa da Liberdade e Autonomia Sindical
Não à intervenção do Estado nas entidades dos trabalhadores
Manutenção da unidade dos metalúrgicos de São José dos
Campos e região
Fora sindicato patronal e governista
Respeito à vontade dos trabalhadores
Respeito à democracia da classe trabalhadora
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fantasma
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o pronunciamento do ex-deputado Babá, na Câmara
dos Deputados, sobre o "Sindiaeroespacial" (.mp3)
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