9º Congresso

União, organização e participação da base

O 9º Congresso, realizado de 17 a 19 de agosto de 2007, pode ser considerado como um marco da democracia e da participação dos trabalhadores da base no comando do Sindicato. O evento discutiu os problemas enfrentados pelo Sindicato de forma aberta e os desafios para o próximo período.

O Congresso reuniu 150 delegados, de 41 fábricas. Somando os observadores e convidados, mais de 200 pessoas participaram do evento, que foi aberto na sexta-feira, na sede do Sindicato em São José. A solenidade contou a presença de dezenas de sindicatos (alguns até do Nordeste), oposições, representantes dos aposentados, do movimento popular e militantes do PSTU e P-SOL. A abertura também contou com a participação do sindicalista da organização Batay Ouvriye, do Haiti, Didier Dominique.

Debates e discussões em grupos
No sábado e domingo, os trabalhos foram realizados no auditório e nas dependências da Colônia de Férias de Caraguatatuba. Um debate sobre a reorganização do movimento operário no país contou com a participação de José Maria de Almeida, da Conlutas, e Ana Paula Rosa de Simoni, da Intersindical. Os diretores apresentaram as teses e resoluções propostas pelo Sindicato. Elas foram analisadas pelos delegados em cinco grupos. Nestes grupos houve mudanças e propostas de novas resoluções, que foram decididas, por votação democrática, no plenário do Congresso.

Luta contra a burocratização é principal desafio
O principal tema discutido pelos delegados no 9º Congresso foi a necessidade do Sindicato iniciar uma forte luta contra a burocratização. O objetivo é combater desvios que afastam os diretores da base e aumentar participação do trabalhador no Sindicato.

A “burocratização” significa o afastamento do dirigente sindical da base e a utilização do mandato e da estabilidade para obtenção de vantagens pessoais, além da falta de democracia e acesso dos trabalhadores à entidade. Essa situação é fruto da estrutura sindical e da pressão do sistema capitalista, e afeta o movimento sindical em geral. Por isso, combater este problema é tarefa de todo sindicato combativo.

“No último período, deixamos de fazer o combate à burocratização em nosso Sindicato e este problema nos atingiu fortemente. Houve ausência de diretores nas fábricas, acordos que não foram benéficos para os trabalhadores e até desvios graves, entre vários outros problemas”, reconheceu o secretário-geral do Sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Durante os três dias, os trabalhadores discutiram o que pensam sobre o Sindicato. Fortalecer a organização no local de trabalho e os mecanismos para garantir a democracia operária, ou seja, para que o trabalhador mande no Sindicato e controle a diretoria, foram as principais resoluções para combater a burocratização.

PRINCIPAIS RESOLUÇÕES:

Prioridade para a organização de base
Os diretores do Sindicato têm que estar dentro das fábricas junto aos trabalhadores, ouvir suas reivindicações, reclamações e opiniões. Todos os organismos de base, como CIPAS, delegados sindicais e comissões de fábricas devem ser impulsionados.

Democracia operária
Quem manda e decide no Sindicato é o trabalhador. Tudo deve ser decidido pelos trabalhadores em assembléias e instâncias como o Conselho de Representantes, que deverá funcionar de forma a permitir a participação efetiva dos trabalhadores.

Medidas contra privilégios indevidos dos diretores
Quem está na fábrica tem que trabalhar; os afastados têm que estar a serviço do Sindicato; controle no uso dos carros (nunca para uso pessoal); extinção do final de semana (anual) gratuito na Colônia; fim da cota fixa de passes (uso de acordo com a necessidade); diretor não pode conseguir aumento para si próprio e nem receber presentes da patronal.

Luta contra as reformas deve se intensificar
A luta contra as reformas do governo Lula que retiram direitos, como a reforma Sindical, Trabalhista e Previdenciária, deve ser intensificada. Essa foi uma importante decisão dos delegados do Congresso. Também foi aprovado que a mobilização contra a reforma da Previdência deve ser impulsionada por meio da campanha do Plebiscito Popular sobre a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce e da preparação à marcha a Brasília, prevista para 24 de outubro.

Organização de base
Decidiu-se pelo fortalecimento do Conselho de Representantes, CIPAS, comissões de fábrica e grupos clandestinos (onde a repressão do patrão é muito grande); também deverão ser produzidos mais boletins específicos por fábricas ou região; outra decisão é a de se reativar e reestruturar a Secretaria de Saúde do Sindicato.

Luta contra a reestruturação produtiva patronal
O Sindicato deve divulgar os novos métodos de produção, que exploram e tiram o emprego dos trabalhadores; a terceirização é um dos fortes ataques à classe trabalhadora.

Luta contra a divisão
É preciso reafirmar o repúdio a esta tentativa de divisão da categoria. Uma campanha permanente deve ser feita na Embraer e nas outras empresas.

Fortalecimento de uma direção nacional
Foi decidido apoiar e fortalecer a Conlutas e discutir a unificação com a Intersindical e outras organizações da esquerda, em oposição à CUT e ao governo Lula.

 

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